O presidente francês defendeu esta quarta-feira uma suspensão das negociações sobre comércio livre entre a União Europeia e os Estados no que respeita à cultura e entretenimento por causa das escutas da NSA. É o efeito Snowden, uma bola de neve que já leva umas semanas e que continua a azedar as relações internacionais.

Veja-se o incidente diplomático com o presidente da Bolívia, Evo Morales, que não pôde fazer escala em Portugal, Espanha ou França, por suspeitas de levar o ex-consultor norte-americano no aparelho.

A ideia defendida por François Hollande vai assim contra a decisão da Comissão Europeia que, na semana passada, após a publicação da alegada espionagem pelos americanos de países europeus, ainda ponderou adiar as negociações mas que, depois, resolveu cumprir com o calendário e iniciá-las na segunda-feira.

O porta-voz do governo francês esclareceu, no entanto, que não se trata de boicotar ou cancelar as negociações, mas apenas de adiá-las por duas semanas até a França obter os esclarecimentos, de modo a que esta questão Snowden não atrapalhasse os trabalhos, conta a Reuters.

Edward Snowden, que aparentemente continua no aeroporto de Moscovo, na Rússia, continua também a ser uma pedra no sapato dos líderes mundiais e os danos «colaterais» das suas denúncias estão aí, como estas negociações, que podiam mexer em 100 mil milhões de euros desta indústria.