A «declaração de princípios» que o governo sírio apresentou na Conferência de Paz, em Genebra, esta segunda-feira, falhou o seu principal objectivo, indicou a oposição síria. A principal discórdia está na manutenção ou não de Bashar al-Assad no poder. Enquanto o impasse político cresce, os EUA exigem que o governo de Damasco permita entrada de ajuda humanitária em Holms para dar «assistência às pessoas esfomeadas»

«A declaração está fora do alcance de Genebra, que centrou as negociações em criar um corpo governamental de transição, que falha em abordar a questão essencial», disse o chefe da oposição, Hadi al Bahra, disse à Reuters.

Esta segunda-feira, durante as conversações para um acordo de paz que termine a guerra na Síria, os EUA exigiram ao governo sírio que permitisse a entrada de comboios de ajuda humanitária, na zona velha da cidade de Homs, onde as pessoas continuam a «morrer à fome». A diplomacia norte-americana exigiu ainda que todos os civis tivessem autorização para abandonar a área de conflito.

A posição de força norte-americana surge depois de no domingo, o governo de Damasco ter aparentemente aberto uma brecha nas negociações para permitir ajuda a quem mais sofre com a guerra: as mulheres e crianças. A delegação do governo sírio propôs a saída destas vítimas, alegando que o impedimento de liberdade estaria a acontecer devido aos rebeldes.

«Eu asseguro-vos que se os terroristas armados em Homs permitirem que mulheres e crianças deixem a a Velha Cidade de Homs, nós permitiremos-lhes todo o acesso. Não apenas isso, como providenciaremos abrigo, medicamentos e tudo o que é necessário», disse Faysal Mekda, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros.

Mas os EUA, do outro lado da barricada negocial, dizem que esta não é uma medida que simplesmente não chega. «A evacuação de mulheres e crianças não é suficiente e não é uma alternativa para quem mais precisa de ajuda. A situação é desesperante e as pessoas estão esfomeadas», defendeu Edgar Vasquez, porta-voz do departamento de Estado norte-americano, depois dos dois lados do conflito terem reunido com o mediador Lakhdar Brahimi.

«Anteriormente, nós já vimos táticas semelhantes do regime, através da sua campanha desprezível: "verguem-se ou morram de fome". Por exemplo, em Mouademiyah, houve uma evacuação limitada, mas ainda assim não existiu ajuda alimentar ou qualquer outra ajuda humanitária. Isto não pode acontecer em Homs», insistem os EUA.

Enquanto a diplomacia internacional está focada em conseguir, em primeira-mão, trazer auxílio ao povo sírio, as negociações entre o governo e rebeldes parecem não saem do impasse que dura há mais de dois anos e que destruiu o país.

A «declaração de princípios» levada pelo governo sírio para a mesa de negociações não menciona um transição de poder e por isso mesmo, segundo a televisão síria, foi de imediato rejeitada pela oposição. O documento defende que os sírios escolham um sistema político sem «fórmulas impostas» pelo exterior, numa aparente referência às exigências ocidentais e da oposição síria em que Bashar al-Assad deixe o poder e entregue os comandos do país a um governo de transição.

Uma transição de poder que dificilmente acontecerá e que para já parece ter originado um novo impasse no campo da ajuda humanitária. As esperanças alcançadas ontem nas negociações, de modo a fazer chegar ajuda à população, continuam sem novidades.

Mulheres, crianças, homens e idosos também, continuam todos em Holms. Com fome.