Um dia depois do alegado ataque químico que matou centenas de civis na Síria as posições diplomáticas da comunidade internacional começam a ganhar forma. Esta quarta-feira, a França admitiu que uma «reação com força» possa ser necessária. Já os EUA declararam que não existem ainda conclusões sobre o uso de armas químicas no ataque de ontem.

«Neste momento somos incapazes de determinar o uso de armas químicas», disse o porta-voz do departamento de Estado, Jen Psaki, depois da pressão em torno de uma posição norte-americana mais dura ter aumentado, dado que há um ano Obama afirmou que o uso de armas químicas seria o passar de uma «linha vermelha». Na mesma comunicação, os EUA revelaram que ordenaram aos serviços de inteligência a verificação do uso de gás químico no terreno.

Apesar da ausência de conclusões sobre a natureza do ataque, os indícios são de que tenha sido usado algum tipo de gás tóxico. Os rebeldes acusam o exército de ser o responsável do ataquem mas forças de Bashar al-Assad já vieram negar a autoria. Vários especialistas levantam também algumas dúvidas sobre a veracidade das imagens e levantam a possibilidade do ataque ter partido das próprias forças rebeldes que têm várias facções no terreno em luta, nomeadamente, com ligações à Al-Qaeda e ao Hezbollah.

O uso de armas químicas por parte dos rebeldes é uma capacidade que os EUA não acreditam que possa existir. O apuramento da verdade está agora nas mãos dos inspectores da ONU no terreno a 15 quilómetros dos locais dos recentes ataques. As Nações Unidas já pediram a Damasco para autorizar a ida dos inspectores ao sítio dos ataques, mas ainda não obteve resposta. O atual mandato da ONU inclui apenas a investigação de três locais previamente acordados.

A posição de não ordenar uma investigação cabal, mas apenas solicitar uma clarificação deixou muito indignados. A França tomou a dianteira da contestação e esta quarta-feira admitiu uma «reação de força». As declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, são um avanço, mas estão ainda longe de representar uma mudança na política seguida pela comunidade internacional para intervir no conflito que todos os dias faz várias vítimas.

O ataque desta quarta-feira fez um número indeterminado de mortos, entre 1300 e 500, pelo menos, no entanto, no terreno há ainda milhares de feridos a necessitar de ajuda, alerta a ONU. Da tragédia diária, há ainda a salientar os mais de 20 mil refugiados que nos últimos dias saíram do país. Milhares que se juntam aos dois milhões que já terão saído desde o inicio do conflito.

A Síria de hoje é de dia para dia um país que desaparece, entre os edifícios que sucumbem e o povo que foge.