Tanto o governo sírio como os combatentes do Estado Islâmico estão a cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Síria, segundo um relatório da ONU divulgado esta quarta-feira.

Os investigadores das Nações Unidas consideram que ambos os lados do conflito devem ser acusados, tendo mesmo elaborado uma lista dos suspeitos que deverão ser julgados pela lei internacional, não tendo, no entanto, divulgado nomes.

Sobre as forças do presidente Bashar al-Assad, a ONU concluiu que estas bombardearam áreas civis, até com um agente químico (cloro), pelo menos oito vezes, em abril.

Também as prisões têm sido cenário de morte e tortura. Segundo a análise de milhares de fotografias tiradas desde o início do conflito na Síria, em 2011, há provas de tortura dos reclusos.

«Tréguas forçadas, uma marca da estratégia do governo de cerco e bombardeamento, são muitas vezes seguidas de detenções em massa de homens em idade de combate, muitos deles que depois desaparecem», diz o relatório, citado pela Reuters.

Já do lado dos jihadistas do Estado Islâmico, são recorrentes as amputações e chicotadas e as execuções em público são «um espetáculo comum». «Crianças estão presentes nas execuções, que são feitas por decapitação ou com um tiro na cabeça à queima-roupa. Os corpos ficam expostos durante até três dias, servindo de aviso aos residentes», acrescentam.

Os investigadores apelam ao Conselho de Segurança da ONU para sublinhar estes crimes ao procurador do Tribunal Penal Internacional.

«A responsabilização deve fazer parte de qualquer futuro acordo, se for para obter uma paz duradoura. Perderam-se demasiadas vidas», comentou o responsável pela equipa de investigação, o brasileiro Paulo Pinheiro.