Pelo menos 200 civis vão ser retirados da cidade de Homs, na Síria, ao abrigo de um cessar-fogo acordado entre as partes e que dura apenas três dias.

O acordo vai permitir a retirada dos civis e a entrega de ajuda humanitária àqueles que optem por permanecer na cidade, uma das mais fustigadas com a guerra civil que assola aquele país há mais de dois anos.

Imagens de satélite mostram bairros que regime sírio destruiu

divulgadas pela HRW:

Esta sexta-feira, entraram na cidade em ruínas, seis autocarros e várias ambulâncias, de acordo com a BBC, que cita testemunhas que referem que as três mil pessoas que ali habitam sobreviveram semanas só a comerem azeitonas.

O número de pessoas que vão ser retiradas é avançado pelo próprio governador, citado pela agência SANA.

Talal al-Barazi garante que foram feitos todos os preparativos para a retirada dos civis, nomeadamente, crianças, mulheres, idosos e feridos.

Menores de 15 e maiores de 55 podem escolher sair ou ficar na cidade, desde que assumam o compromisso de honra de que não pegarão em armas contra o regime.

O governo compromete-se a proporcionar abrigo para aqueles que saiam.

Após a saída do primeiro grupo de civis, entram os camiões das Nações Unidas com ajuda alimentar e médica para 2500 pessoas, protegidos por um corredor militar.

Os trabalhos já começaram a partir de quinta-feira, uma oportunidade única da ajuda humanitária entrar numa das cidades mais fustigadas pela guerra civil e onde há mais de um anos não é possível receber a ajuda externa.

Muitos dos que conseguiram entrar naquela cidade, não saíram. O caso da correspondente do «Sunday Times», que morreu num ataque à cidade e que, em consequência, levou o jornal britânico a mudar a sua política relativamente às fotos do conflito.

Marie Colvin não foi a única a morrer nesse dia. Outro jornalista também morreu. Javier Espinosa, repórter do «El Mundo» estava lá. Conseguiu sobreviver e ficou até ao último civil ser retirado do bairro atacado. Disse que era a sua «obrigação reportar», como cita o «The Guardian», em dezembro de 2013, altura em que a mulher do jornalista espanhol fez um apelo para que libertassem o marido, raptado no norte da Síria e de quem não tinha notícias há meses.

A Rússia afirma que a sua embaixada em Damasco exerceu o «papel enérgico» de mediador, coordenando as negociações entre o governador local e as Nações Unidas, segundo declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros russo citadas pela Reuters esta sexta-feira.

Os Estados Unidos também «felicitaram» de imediato o acordo que permite uma «pausa» na guerra de mais de dois anos.

O cessar-fogo acontece só em Homs, mas o gesto não pode ser ignorado no seu todo. Com as Nações Unidas no terreno, o regime sírio anunciou esta sexta-feira que vai participar na próxima ronda de negociações de paz a decorrer em Genebra, na Suíça, na próxima segunda-feira, como avança a CNN.

Uma etapa de um caminho que já vai longo. Mas a guerra não está parada. De Aleppo chegam notícias dos confrontos entre rebeldes e forças do regime junto a uma prisão. Os rebeldes fizeram explodir um carro bomba e soltaram três mil presos de uma cadeia, a maioria, detidos por «consciência», como conta a BBC.