As causas do descarrilamento de um comboio na Galiza, que já fez pelo menos 78 mortos, estão ainda em investigação, mas a velocidade fatal a que se deslocaria a composição é para já a principal culpada da tragédia. Os relatos, inclusive dos maquinistas que sobreviveram ao acidente, apontam para uma velocidade entre os 180 km/H e os 220Km/H. Um vídeo divulgado na Internet mostra o momento do embate e a velocidade excessiva a que circulava a composição.



A comunicação de rádio entre os maquinistas e a central está a ser divulgada pela imprensa espanhola. Um dos homens, depois de ter ficado preso no interior da composição, declarou que se queixava de dores nas costas e que não podia sair. No calor do momento, repetiu: «Somos humanos, somos humanos». «Espero que não haja mortos porque caíram na minha consciência», disse ao referir que o comboio tinha entrado na curva a 190Km/H, depois ainda falou de 200 km/h, para voltar a referir os 190 km/H, disseram ao El País, fontes da investigação.

«Descarrilei, o que vou fazer, o que vou fazer», terá dito ainda um dos maquinistas na conversa por rádio.

Um dos maquinistas está sob custódia policial e foi já constituído arguido, mas não está detido. O juiz responsável pelo processo já tem em seu poder a «caixa negra» e adiantou que foi aberta uma investigação em que um dos maquinistas é o principal suspeito. O outro condutor do comboio terá ficado ferido e está internado.

Do acidente, para além dos 78 mortos, há ainda 178 feridos, 36 em estado grave, dos quais 4 são crianças. Cerca de 95 pessoas ainda estão internadas no hospital. A lista com as vítimas mortais será divulgada às 22:00, hora espanhola.

Se a causa do acidente foi erro técnico ou humano é ainda muito cedo para averiguar, salientam os especialistas. No entanto, dadas as declarações já conhecidas, as possibilidades do comboio não ter conseguido travar e por isso circular a uma velocidade de pelo menos o dobro do que é permitido na «curva difícil», 80 km/h, está a ser equacionada.

No local, fonte do sindicato dos maquinistas declarou à TVI que naquele local a condução da composição é feita de forma manual pelos maquinistas, mas recusou-se a avançar mais pormenores sobre o acidente.

A nacionalidade das vítimas do acidente de comboio em Santiago de Compostela ainda não foi divulgada pelas autoridades espanholas, mas o cônsul português em Vigo interrompeu as férias para seguir os desenvolvimentos do acidente no local. Apesar de estar em contacto com as autoridades espanholas, o Governo português ainda não tem informação sobre a nacionalidade dos 78 mortos.

O vice-consulado de Portugal em Vigo, Galiza, está hoje a funcionar extraordinariamente, por ser feriado naquela região autónoma espanhola, para apoiar qualquer pedido de cidadãos portugueses eventualmente envolvidos no acidente ferroviário de Santiago de Compostela.

O descarrilamento do comboio, que também provocou 178 feridos, aconteceu cerca das 20:40 locais (19:40 de Lisboa) de quarta-feira. A polícia espanhola disponibilizou três especialistas, que já partiram para Santiago de Compostela, para colaborar na identificação dos cadáveres, e que se vão juntar a outros seis agentes para tornar a operação mais rápida.

Este é o terceiro acidente mais grave da história ferroviária em Espanha e o primeiro com mortes a lamentar nas linhas de alta velocidade do país.

A Junta da Galiza decretou hoje sete dias de luto oficial e o governo espanhol três dias de luto nacional.

Notícia atualizada às 13:38