Notícia atualizada

As tropas russas, com veículos bélicos e armas automáticas forçaram a entrada na base aérea de Belbek, na Crimeia, onde as forças ucranianas resistiam até agora, mantendo o controlo sobre o espaço. Acabaram por desistir e render-se às tropas de Putin este sábado.

As tropas russas tinham dado um utimato que terminava às 12:30 GMT.

O comandante da Base Aérea de Belbek anunciou que seria foi levado por tropas russas para conversações. Sem certezas quanto ao local para onde será levado e quanto ao seu regresso, o Coronel Juliy Mamchur apenas disse: «Logo se vê», como cita a Reuters. O responsável deu ordem aos seus homens para guardarem as armas nos depósitos.

Ouviram-se tiros durante a tomada do poder e um ucraniano ficou ferido, naquele quer era um dos últimos bastiões do poder ucraniano na Crimeia.

Fora das armas e na guerra das palavras. a Ucrânia, num encontro com o chefe da diplomacia alemã este sábado deixou um apelo à União Europeia: a Ucrânia precisa do gás dos outros países europeus para garantir as suas necessidades de energia. Entre a espada e a parede parece estar assim este país, divido entre os pró-ocidentais e os pró-rússia, de que a Crimeia é o melhor exemplo e pode ser apenas o primeiro.

Por seu turno, o chefe da diplomacia alemã considerou que o referendo na Crimeia como uma forma de tentar dividir a Europa e uma violação do direito internacional.

A declaração de Frank-Walter Steinmeier foi feita aos jornalistas no final de um encontro com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniouk, no qual foi debatida uma eventual ajuda técnica da Alemanha às forças armadas da Ucrânia.

«Analisámos a questão da cooperação técnica militar para ajudar a melhorar os equipamentos e reforçar as forças armadas ucranianas», declarou o primeiro-ministro interino ucraniano, como cita a Lusa.

A Rússia lamentou este sábado as novas sanções adotadas pela União Europeia em resposta pela anexação da Crimeia, considerando Moscovo que está no direito de responder de forma recíproca a Bruxelas.

«É uma pena que o Conselho Europeu tenha tomado uma decisão afastada da realidade. Acreditamos que é tempo de voltar ao terreno pragmático da cooperação que responde aos interesses dos nossos países», disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandr Lukashévich.

Manifestando disponibilidade para o diálogo, o porta-voz adiantou contudo que «a parte russa reserva-se o direito de dar uma resposta adequada à medida tomada» por Bruxelas.

Também o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visita esta semana a Europa e a Arábia Saudita com o objetivo de fazer pressão internacional para resolver a crise na Ucrânia e fortalecer parcerias com os países visitados.

A viagem de Obama, que começa na segunda e termina sexta-feira, inclui ainda um encontro com o Papa Francisco, mas é a situação na Ucrânia que vai dominar a semana do presidente.

A Rússia «está isolada» nesta crise, «mesmo sem a China», disse aos jornalistas a principal conselheira de segurança nacional de Obama, Susan Rice, confirmando que a anexação da Crimeia forçou os EUA a reconsiderar a sua relação com Moscovo.