A Rússia não vai interferir na situação na Ucrânia, onde violentos confrontos entre manifestantes pró-Europa e as forças de ordem causaram cinco mortos, declarou esta quinta-feira o porta-voz do Presidente russo, Vladimir Putin.

«Nós não pensamos ter o direito de intervir nos assuntos internos da Ucrânia de qualquer forma. Isto é absolutamente inaceitável ingerirmo-nos nos assuntos internos» de outro país, declarou o porta-voz, Dmitri Peskov, em entrevista publicada no portal do diário Komsomolskaia Prayda.

A Rússia está convencida de que as autoridades ucranianas «sabem o que devem fazer e encontrarão a melhor solução para fazer regressar a situação à normalidade e restabelecer a paz», disse Peskov, que lamentou a «interferência estrangeira» na crise da Ucrânia, que considera ser óbvia.

«Não podemos compreender os embaixadores dos países estrangeiros em Kiev, que dizem o que devem fazer as autoridades na Ucrânia (..) isso gera a nossa indignação», salientou.

Os manifestantes ucranianos impediram esta madrugada o avanço da polícia no centro de Kiev com um imponente «escudo» de fogo, que alimentavam com madeira, pneus e destroços de veículos carbonizados.

«Não temos medo. Esta é a nossa revolução. Resistiremos até ao fim, mas não somos fascistas, como diz o Governo. Queremos uma vida normal, com trabalho e filhos, e não uma ditadura», disse um dos manifestantes Vladimir, que trabalha na construção, citado pela agência Efe.

Os manifestantes, na sua maioria jovens, lançavam esta noite cocktails molotov, pedras e outros objetos contra a polícia, que se encontrava do outro lado das chamas e tentava apagar o fogo com a ajuda de camiões de água.

Nem a morte de cinco manifestantes, segundo dados da oposição ucraniana, nem as baixas temperaturas, que rondam os 10 graus negativos, demoveram os manifestantes. Alguns pedem a ajuda do Ocidente, inclusivamente militar, já que temem que as autoridades recorram à força para terminarem os protestos depois da declaração do estado de emergência.

A oposição ucraniana deu 24 horas ao governo para responder às suas reivindicações, que incluem a convocação de eleições antecipadas.