Notícia atualizada às 11:19

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia criticou, esta quinta-feira, Portugal, mas também França e Espanha por causa da atuação em relação ao avião em que viajava Evo Morales. A Rússia considerou que o incidente com o avião do Presidente da Bolívia, Evo Morales, depois da partida de Moscovo, não pode ser considerado um gesto amigável para com a Bolívia e a Rússia.

«As ações das autoridades da França, Espanha e Portugal podem dificilmente ser consideradas amigáveis em relação à Bolívia, bem como à Rússia, de onde voava o Presidente Morales depois da sua visita a Moscovo», lê-se numa nota da diplomacia russa publicada esta quinta-feira.

«Além disso, a proibição do direito de um avião sobrevoar [esses países] podia criar uma ameaça à segurança dos passageiros do aparelho, incluindo o chefe de um Estado soberano», frisa a diplomacia russa.

Evo Morales, que regressava de Moscovo após participar numa reunião de países produtores de gás, esteve parado 13 horas no aeroporto de Viena depois de três países impedirem a aterragem ou sobrevoo dos seus territórios, numa situação que o Governo da Bolívia classificou de «sequestro virtual».

A decisão desses países terá tido na base a suspeita de que o avião transportava Edward Snowden, ex-colaborador da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, cuja extradição é exigida por Washington.

Entretanto, a Casa Branca já reagiu a esta polémica. A administração norte-americana diz que a responsabilidade exclusiva é de Portugal, França e Espanha. «As decisões foram tomadas por países individuais e essa pergunta deve ser feita a esses países», afirmou Hen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

«Temos mantido contacto com vários países que tiveram a oportunidade de acolher Snowden, ou pelos quais ele poderia passar, mas não vou mencionar quais foram esses países, nem quando esses contactos ocorreram», acrescentou.



O episódio já mereceu a crítica do Governo brasileiro, com Dilma Rousseff a manifestar «indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo». Num comunicado citado pelo jornal «Estado de São Paulo», Dilma refere que o «constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina» e «compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles».