Durante as conversações de paz para a Ucrânia, que estão a decorrer na Bielorússia esta terça-feira, e que sentem à mesma mesa o ministro dos Negócios Estrangeiros russo e as autoridades ucranianas, sob a mediação da OCDE, o representante russo resolveu colocar nas mãos dos Estados Unidos a decisão, ou seja, Sergei Lavrov veio afirmar que Washington devia usar a sua influência sobre Kiev para conseguir a paz no leste da Ucrânia.

«O mais importante é colocar bom senso nos partidários da guerra de Kiev e esse trabalho só pode ser feito pelos Estados Unidos», cita a Reuters.

E Lavrov acrescenta: «É muito importante que estes lancem sinais a favor de uma resolução política e não militar do conflito».

A Rússia põe assim o ónus no ocidente para alcançar a paz na Ucrânia, a poucos dias da União Europeia aprovar novas sanções económicas ao Kremlin em consequência do seu apoio aos separatistas. Segundo disse, a nova representante para a diplomacia externa da UE no Parlamento Europeu, Federica Mogherini, as sanções devem ser aprovadas na sexta-feira.

A NATO, por seu turno, não parece acreditar numa solução política para o problema e vê Putin cada vez mais distante do ocidente e dos Estados Unidos, pelo que anunciou na segunda-feira o reforço da sua presença militar para proteger os seus membros europeus.

O presidente russo não se convence, no entanto, de um crescente isolamento. Internacional e económico, já que a Austrália vai propor que os países-membros do G20 vetem a participação de Vladimir Putin na cimeira do bloco que se realiza em novembro na cidade australiana de Brisbane, revelou o ministro da Economia australiano, Andrew Robb.

Os ministros australianos dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Julie Bishop e David Johnston, respetivamente, vão apresentar a proposta durante a reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), que vai decorrer esta semana em Gales.

«Creio que cada vez mais pessoas estão preocupadas pela sua presença, mas vamos ver qual é o resultado dessas discussões», disse Robb ao canal de televisão local ABC, ao sublinhar que «a decisão não pode ser tomada unilateralmente».

Da guerra de palavras para a guerra propriamente dita, um número: 2600 mortos desde o início do conflito na Ucrânia, em abril.