O ministro da Justiça espanhol acredita que a reforma da lei do aborto, que vai restringir a interrupção voluntária da gravidez a casos de violação ou perigo grave para a saúde da mulher, terá um «impacto líquido positivo» na economia porque aumentará a natalidade.

Este é o principal argumento de Alberto Ruiz-Gallardón, encontrado no relatório que acompanha o projeto de lei, que já foi aprovado pelo Conselho de Ministros, e que foi divulgado esta segunda-feira pela Cadena Ser.

O relatório contradiz-se a si próprio, porque mais tarde refere «que o impacto económico [da restrição dos abortos] dificilmente é quantificável».

Garante ainda que «deixar-se-á de considerar o aborto como um direito da mulher e como um método de planeamento familiar»

O documento, no entanto, apresenta dados desatualizados, como a «não diminuição» de abortos com a atual lei, que permite a interrupção voluntária da gravidez até às 14 semanas sem restrições. Segundo os últimos dados do ministério da Saúde, o número de abortos diminuiu 5 por cento de 2011 para 2012.

O mesmo relatório alega que, ao não permitir o aborto devido a malformação do feto, o chamado aborto eugénico, prevenir-se-ão os direitos das pessoas com deficiência.

Recorde-se que nem a antiga lei, de 1985, excluía a malformação do feto das possibilidades para abortar.

Tamanho retrocesso e, segundo a imprensa espanhola, tal linguagem marcadamente «ideológica» dificilmente poderão servir de base a uma reforma que Mariano Rajoy tem tido dificuldades em defender.