O presidente russo, Vladimir Putin, assinou esta segunda-feira um decreto em que reconhece a República Independente da Crimeia, na sequência do referendo realizado no domingo e que deu 96 por cento de votos positivos à integração daquela região autónoma ucraniana na Rússia.

«Respeitando a vontade do povo da Crimeia com base nos resultados do referendo levado a cabo no dia 16 de março de 2014, venho reconhecer a República da Crimeia como estado independente e soberano», pode ler-se no documento do Kremlin citado pela russa RT e pela France Presse.

A televisão russa disse ainda que o decreto entrou imediatamente em vigor.

Recorde-se que 95,5% dos eleitores querem integração na Rússia

O próprio Parlamento da Crimeia já tinha votado a anexação à Rússia.

O decreto de Vladimir Putin reforça o braço de ferro com a União Europeia e com os Estados Unidos, que não reconhecem o resultado do referendo e que não aceitam um ataque à soberania e território ucraniano.

As sanções da Europa dos 28 e dos Estados Unidos para com a Rússia já foram, por seu turno, anunciadas.

A União Europeia não poupou sequer altas figuras russas. A obtenção de vistos nos passaportes por parta dos russos passou a ser uma tarefa dificultada, como revela a Reuters.

Barack Obama também não gostou do resultado do referendo e não o reconhece internacionalmente.

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que o seu país está pronto para impor mais sanções à Rússia , dada a não-desmobilização das tropas russas do território da Crimeia.

A Reuters adianta que os Estados Unidos estão a analisar o pedido de tropas feito pela Ucrânia, mas ressalvam que querem uma solução pacífica e diplomática do problema.

A Crimeia, através do site oficial do Parlamento, assumiu-se esta segunda-feira de manhã como um estado independente e pediu o reconhecimento internacional da sua soberania numa carta endereçada às Nações Unidas.