Esta segunda-feira, a catedral de Santiago de Compostela vai encher-se para uma última homenagem às vítimas do acidente ferroviário. Os funerais terão a presença dos Príncipes Filipe e Letízia e da Infanta Helena em representação da monarquia. O Governo estará representado pelo próprio chefe do Executivo, Mariano Rajoy, que é natural da região galega.

Enterram-se os mortos, mas as dúvidas e a dor das famílias permanece. Entretanto, advogados peritos em indeminizações também rumaram a Santiago de Compostela para falar com as famílias das vítimas.

O principal suspeito deste acidente, o maquinista Francisco José Garzón, foi ouvido no domingo por um juiz e saiu em liberdade. Reconheceu a imprudência da velocidade que levava e fcou arguido dos crimes de homicídio por negligência. Uma alegada culpa que resta saber se é partilhada ou não pela empresa e que a investigação deve concluir.

Santiago de Compostela é, pois, uma cidade triste, numa altura em que se cumprem ainda os sete dias de luto que a Galiza decretou em memória das vítimas. E, no meio da desgraça, nascem histórias de coragem e solidariedade, destacadas logo à chegada pelo Príncipe Filipe. Como a de Francisco Garrido, um polícia de Angrois, que largou o carro com a porta aberta e as luzes ligadas e começou a socorrer quem pôde do comboio acidentado. Francisco Garrido, no entanto, prende-se na imagem de um carrinho de bebé abandonado que procurou em vão o seu dono, como conta o «El País». Uma dúvida que o assalta.

Outras dúvidas: por que é que o hospital que fica mais perto do local do acidente, com uma capaciadde de 70 camas, não recebeu nenhum doente. A questão levantada também nas páginas do «El País» chama a atenção para os alegados erros nas operações de socorro às vítimas.

O acidente de comboio mais grave de Espanha provocou 79 vítimas. Duas dezenas de feridos continuam em estado crítico.