Quatro princesas sauditas, filhas do rei Abdullah, um dos homens mais ricos do mundo, denunciaram através de correio eletrónico e telefonemas para um jornal britânico que vivem em cativeiro há 13 anos.

As quatro irmãs tiveram uma educação e um estilo de vida ocidentais, mas à medida que os anos foram passando acabaram por se tornar reféns. Antes viajavam de férias pelo menos duas vezes por ano para visitar a mãe, separada do rei desde os anos 80 e atualmente residente em Londres.

Alanoud, nascida na Jordânia, casou-se com Abdullah no início da década de 70, quando este ainda era príncipe herdeiro e ela tinha apenas 15 anos.

Em 1980, o marido, que viria a ascender ao trono só em 2005, na sequência da morte do rei Fahd, seu meio-irmão, comunicou a Alanoud que se havia divorciado e um ano depois voltaria a casar-se.

Abdullah, hoje com 89 anos, costuma manter quatro mulheres ao mesmo tempo.

Alanoud, a sua segunda esposa, não vê as filhas há anos. Depois do apelo lançado pelas princesas através do jornal britânico «The Sunday Times», contactou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para denunciar a situação das princesas e aguarda agora a resposta.

A filha mais velha, Sahar, de 42 anos, e a mais nova, Jawaher, de 38, ainda têm a companhia uma da outra, apesar de estarem enclausuradas num palácio real em Jedah. Mas as irmãs, Maha, de 41 anos, e Hala, de 39, vivem sozinhas noutros dois palácios sauditas.

Embora nenhum bem material lhes falte nas mansões onde estão cativas, as princesas queixam-se de não poder receber visitas e de viver sob um apertado dispositivo de segurança.

Têm acesso à Internet e redes sociais e por vezes vão às compras, mas apenas com autorização de um dos varões da família e rodeadas por tanta segurança que quase preferem não sair.

Sahar e Jawaher contaram ao "The Sunday Times" que Hala, a mais nova das princesas, se queixou de que está a perder a sua sanidade mental devido ao cativeiro.

A falta de liberdade das filhas de Abdullah consegue superar as restrições de que sofrem em geral as mulheres sauditas num país onde nem sequer podem conduzir.