A campanha que fez furor nos últimos dias nas redes sociais e que mostrava o primeiro-ministro da Noruega ao volante de um táxi para ouvir as preocupações dos eleitores tem, afinal, alguns contornos menos transparentes. Já sabia que o vídeo era uma ação de campanha para a corrida eleitoral que se avizinha, mas o que tinha ficado escondido é que alguns dos «clientes» que entraram no táxi foram pagos para entrar no vídeo.

A reviravolta na história foi divulgada pelo jornal tablóide, Verdens Gang, que questionou o partido e descobriu que cinco dos 14 passageiros foram na realidade escolhidos durante um casting. «Houve cinco pessoas comuns a quem perguntamos se queria fazer parte de um vídeo do partido. As pessoas não sabiam nada mais, a não ser que iam entrar num táxi», disse a porta-voz do Partido Trabalhista, Pia Gulbrandsen.

«A surpresa quando percebiam que era o primeiro-ministro foi real», disse, acrescentando que cada um recebeu pouco mais de 60 euros como sinal de agradecimento». Os restantes passageiros não receberam a mesma quantia, mas não tiveram de pagar a viajem.

A responsável pela empresa que produziu o vídeo, uma amiga do primeiro-ministro, segundo a empresa, explicou que o casting ocorreu para garantir que alguém estaria nos locais e assegurar que o táxi do primeiro-ministro tivesse passageiros, assim como que a amostra escolhida era diversa.

As sondagens mais recentes mostram que o atual primeiro-ministro está a ficar para trás, em relação à direita, na corrida eleitoral. A recente iniciativa, apesar do sucesso, não deverá ser o suficiente para protagonizar uma reviravolta nas eleições de 9 de Setembro.