O primeiro-ministro Manuel Valls mexeu pouco no novo Governo de França. O anúncio do novo Executivo, o quarto dentro do mandato do Presidente François Hollande, revelou apenas «remendos» nas posições deixadas vagas pelos três ministros que se colocaram em rota de colisão com a política de austeridade que tem vindo a ser seguida em França. O Eliseu anunciou a composição da nova equipa de Manuel Valls. São 16 ministros, mantém-se a paridade, oito homens e oito mulheres, e 17 secretários de Estado.

De acordo com o «Le Monde», o grande destaque é Emmanuel Macron, de 36 anos, que assume a pasta da Economia. Macron sucede a Arnaud Montebourg, que criticou a orientação económica de François Hollande conduzindo à queda do Executivo. Escolhido numa ótica de continuidade, o conhecido conselheiro de François Hollande, deverá estar alinhado ao «plano de responsabilidade» preconizado pelo Presidente francês para os próximos três anos e que terá de ser ainda discutido com os parceiros europeus. Macron, ligado à banca de investimentos, foi secretário-geral adjunto da Presidência e assessor para a área económica e financeira do Chefe de Estado francês.

A dissolução do Executivo francês foi apresentada na segunda-feira na sequência de críticas à política de austeridade. Em causa as declarações do anterior ministro da Economia, o «rebelde» Arnaud Montebourg, que em entrevista ao«Le Monde» afirmou que as políticas do Governo francês não conduzem ao crescimento, acusando o Governo de ser refém da «obsessão» alemã pela austeridade.

Excluídos do Governo ficaram, claro, os dois aliados de Montebourg nas críticas à orientação económica. Assim, a pasta da Educação passa das mãos de Benoit-Hamon para Najat Vallaud-Belkalen, que se torna a primeira mulher a ocupar o cargo.

Fleur Pellerin deixa a secretaria de Estado do Turismo e substitui Aurélie Filippett à frente do Ministério da Cultura. Patrick Kanner assume a pasta do Desporto e Juventude.

No novo Executivo mantêm-se pesos pesados como Laurent Fabius nos Negócios Estrangeiros, Michel Sapin nas Finanças e Ségolène Royal, ex-mulher de Hollande, com a pasta da Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia.



Ex-ministros não se arrependem das críticas

O novo Governo tem ainda de ser aprovado pelo Parlamento. A tarefa de Manuel Valls era formar um Governo mais homogéneo, que permita reconquistar a confiança e a popularidade, sem os críticos das políticas do Executivo, como os ministros da Cultura Aurélie Filippett, e da Educação Benoît Hamon, além do titular da pasta da Economia Arnaud Montebourg, refere a AFP.

Os ministros que deixam o Governo francês garantem que não se arrependem das críticas, continuando a defender uma linha alternativa. «O nosso objetivo não é provocar uma crise no Governo. Nós defendemos apenas uma política económica alternativa. E iremos apoiar o novo Executivo», disse Aurélie Filippett à BFM-TV.

Primeiro-ministro pede voto de confiança ao Parlamento

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, anunciou ao início da noite desta terça-feira que vai apresentar uma moção de confiança no Parlamento «sobre um programa de trabalho», em setembro ou outubro. «Eu irei, na sessão Assembleia Nacional, apresentar um voto de confiança sobre um programa de trabalho em setembro ou outubro», disse o chefe do Executivo gaulês em declarações ao canal de televisão France 2.

Na mesma entrevista, dada momentos após o anúncio do novo Governo, o segundo que lidera no espaço de cinco meses, Manuel Valls insistiu nos incentivos ao patronato: «Continuamos de acordo na necessidade de apoiar as empresas. As grandes, que representam a França por todo o Mundo, mas sobretudo as pequenas e médias empresas e indústrias, os artesãos, a economia social e solidária. É aí que trabalha a grande maioria dos franceses e é aí que criamos riqueza».