O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que dará asilo a Edward Snowden se este o pedir, em protesto contra os países europeus que esta semana o impediram de atravessar o seu espaço aéreo.

«Dizer aos europeus e aos norte-americanos que (...), como justo protesto, vamos dar asilo a esse norte-americano perseguido pelos seus compatriotas, se nos pedir. Não temos medo», disse Morales, citado por agências internacionais.

O presidente boliviano fez esta declaração num discurso na região andina de Oruro (sudoeste), onde estava acompanhado pelo presidente do Banco Mundial, o sul-coreano Jim Yong Kim, que realiza a sua primeira visita oficial à Bolívia.

Evo Morales foi esta semana impedido de atravessar o espaço aéreo de vários países europeus, incluindo Portugal, quando regressava de Moscovo a La Paz, devido a suspeitas de que levaria Snowden a bordo.

A situação criou um incidente diplomático que envolveu uma queixa à ONU e a exigência de um pedido de desculpas formal ao presidente boliviano.

A Venezuela e a Nicarágua também estão dispostas a receber o norte-americano, que está desde 23 de junho na zona de trânsito do aeroporto moscovita de Sheremetyevo à espera de uma solução diplomática que evite a sua extradição para os Estados Unidos.

Segundo a Wikileaks, Snowden, 30 anos, pediu asilo político a um total de 27 países.

Snowden, ex-consultor da NSA e da CIA, revelou aos jornais «The Guardian» e «The Washington Post» um programa de vigilância da administração norte-americana às comunicações telefónicas e internet de milhões de cidadãos e de espionagem a instituições e embaixadas europeias.