O lusodescendente Julien dos Santos e a portuguesa Cristina Semblano foram eleitos pela esquerda para cargos municipais na região de Paris, apesar da vantagem conquistada pelos partidos de direita na primeira volta das eleições municipais francesas de domingo.

O município de Gonesse elegeu a lista socialista de Jean-Pierre Blazy, com 51% dos votos, renovando o mandato ao lusodescendente Julien dos Santos, conselheiro municipal desde 2008.

Com 25 anos, o autarca de origem portuguesa inicia assim o segundo mandato como o mais jovem eleito de Gonesse.

«Foi um voto muito sincero dos eleitores de Gonesse contra o extremismo», afirmou Julien dos Santos.

«Nesta primeira volta há sempre esta vontade dos eleitores de ameaçar os políticos e de um voto de contestação, mas na segunda volta pensam mais no futuro que querem para a cidade e num voto mais razoável», disse o eleito luso em relação ao aumento significativo de votos no partido de extrema-direita Frente Nacional (FN), verificado ao nível nacional.

O eleito lusodescendente não nega que «é preciso ter sempre cuidado com a subida da FN« e garante que a esquerda está atenta.

«Mas temos que ter noção que a subida da FN também tem a ver com o protesto a nível nacional, da imagem do político, do governo», apontou Julien dos Santos.

No município de Gentilly, a portuguesa Cristina Semblano foi eleita pela lista da união de esquerda, «Unidos Por Gentilly», com 68,1% dos votos, deixando para trás a União por um Movimento Popular (UMP), de direita, com 31,9%.

Cristina Semblano disse à Lusa que a cidade é liderada pelo Partido Comunista «há bastante tempo» e este resultado reflete «uma indicação maciça de que os eleitores votaram pela continuidade da política da Câmara».

A eleita portuguesa explicou que 53% do alojamento em Gentilly é alojamento social, de uma Câmara que «viu passar várias vagas migratórias» e é «muito acolhedora» tanto para os residentes franceses como estrangeiros.

A militante do Bloco de Esquerda, apesar de contente com os resultados do seu município, não nega a tristeza com que viu os resultados da extrema-direita nos resultados gerais das municipais francesas.

«É preocupante, mas é resultado das políticas que estão a ser seguidas ao nível nacional. Não há duvida nenhuma que a dimensão nacional está muito presente ao nível local», assegurou Cristina Semblano.

Os partidos de direita reuniram 46,5% dos votos, a esquerda 37,7%, a extrema-direita 4,7% e a extrema-esquerda 0,6%.

A primeira volta das eleições municipais francesas registou uma taxa de abstenção de 38,6%, um valor considerado recorde, contra os 33,5 por cento registados em 2008.

A 2.ª volta das municipais francesas está marcada para 30 de março.