O chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete, manifestou hoje à Lusa a «preocupação» de Portugal com a situação na Síria, mas disse ser ainda muito cedo para falar sobre as alegações de uso de armas químicas.

«Não sabemos muito neste momento. Ainda estamos [os chefes da diplomacia da UE] um pouco às escuras já que continua a ser uma situação confusa», afirmou em declarações à agência Lusa o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Rui Machete lembrou que os ministros dos 28 Estados-membros da UE souberam da notícia «no final da reunião» extraordinária do Conselho de Negócios Estrangeiros, que decorreu na quarta-feira em Bruxelas, para analisar a situação no Egito.

A oposição síria acusou na quarta-feira as forças governamentais sírias de terem matado várias centenas de pessoas na periferia de Damasco num ataque com gases tóxicos.

Rui Machete manifestou a «preocupação» do Governo português sobre a situação naquele país e lembrou que Portugal foi cossignatário de uma carta que vários países enviaram na quarta-feira ao subsecretário-geral da ONU, Jan Eliasson.

Na missiva, os 37 países signatários solicitaram à ONU que fosse levada a cabo uma «investigação urgente» sobre as alegações de uso de armas químicas no ataque de quarta-feira, nos subúrbios de Damasco.

Só quando essa investigação for concluída é que os países da União Europeia poderão tomar uma posição fundamentada, considerou Rui Machete.

Pelo governo português assinou a carta Cristina Maria Cerqueira Pucarinho, encarregada de negócios na Missão Permanente de Portugal junto da Organização das Nações Unidas.

A ONU pediu hoje formalmente ao governo sírio para autorizar peritos da ONU a investigar as denúncias do ataque com armas químicas na Síria e disse que «espera receber rapidamente uma resposta positiva».

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também decidiu enviar a Damasco a sua Alta Representante para o Desarmamento, Angela Kane.