O Papa Francisco denunciou hoje «os arrivistas» e aproveitadores que enriquecem à custa das instituições da Igreja, numa altura em que sobriedade e despojamento são as novas palavras de ordem do Vaticano.

Na homília diária, na capela da residência de Santa Marta, no Vaticano, o papa fez declarações muito duras, na mesma altura em que um novo conselho de Economia foi criado para pôr fim às fraudes e má gestão na Igreja. O banco do Vaticano, como é conhecido o Instituto para as Obras Religiosas, está em fase de renovação e as suas contas estão a ser analisadas uma a uma.

O Papa escolheu a palavra «arrampicatore» (trepador), que em italiano significa também arrivista, para afirmar: «se tens vontade de trepar, vai mais para norte e faz alpinismo: é mais saudável?».

Existem aqueles «que seguem Jesus pelo dinheiro, com o dinheiro, procurando aproveitar-se economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade cristã, do hospital, do colégio», declarou.

«Esta tentação existe desde o início, e nós conhecemos muitos bons católicos, bons cristãos, amigos, benfeitores, da Igreja, com títulos honoríficos variados... E depois descobrimos que tinham negócios pouco claros. Apresentavam-se como benfeitores da Igreja, mas desviaram muito dinheiro, e nem sempre dinheiro limpo», disse.

O Papa escolheu, ao ser eleito, o nome de Francisco de Assis e declarou querer tornar a Igreja mais «pobre para os pobres», cita a Lusa.