O pai do menino inglês que morreu de fome, supostamente por não ser alimentado pela mãe, declarou em tribunal que os Serviços Sociais ingleses ignoraram o pedido de ajuda que fez. Segunda-feira, no quarto dia de julgamento do caso, o pai revelou detalhes do modo como o filho estava a ser criado pela ex-companheira.

De acordo com a Sky News, Aftab Khan, um taxista de 45 anos, disse ao tribunal de Bradford, no Reino Unido, que alertou às autoridades de que estava preocupado com o bem-estar do filho, Hamzah Khan, e com a forma como a mãe, Amanda Hutton, cuidava da criança.

A denúncia teria sido feita um ano antes da morte da criança, cujo corpo foi encontrado pela polícia em dezembro de 2011, dois anos depois de ter morrido.

«Ela não lhe dava banho. Não lhe mudava as fraldas», afirmou Aftab Khan, que também contou que Amanda Hutton, a mãe do filho, na época, bebia muito e estava «fora de si». «O sistema falhou com meu filho. Eu perdi toda a confiança no sistema», acrescentou.

Cadáver de menino encontrado no berço dois anos depois

O motorista de táxi foi condenado, há alguns anos, depois de discutir com Amanda Hutton por causa do filho. Aftab Khan estava proibido de se aproximar dela e da criança, mas declarou ao júri que nunca agrediu a ex-companheira.

«Se eu fosse um marido agressivo, eu não estaria aqui em frente dela [Amanda Hutton]. Toda a gente sabe o que aconteceu. Vocês têm provas contundentes contra ela, mas ainda estão a tentar apontar-me o dedo», defendeu-se.

Amanda Hutton, de 43 anos, está a ser julgada pelo homicídio do filho Hamzah Khan, de quatro anos. A mãe terá matado a criança em 2009, mas manteve o corpo «mumificado» do menino, no quarto, durante dois anos.

De acordo com o depoimento de uma testemunha na semana passada, que não pode ser identificada por questões de segurança, o corpo da criança foi encontrado dentro de uma gaveta, coberto por folhas.

«Ele estava duro e pálido. Aparentava estar muito magro. Parecia uma vara fina, porque não se alimentava muito», referiu a testemunha, citada pelo jornal britânico «Mirror».

Ainda de acordo com o depoimento da testemunha, Amanda Hutton só alimentava o filho uma vez ao dia para o castigar por ser «desarrumado» e «malcriado».

A mesma testemunha referiu que Amanda Hutton continuou a receber abono de família durante os dois anos em que o filho já estava morto. O dinheiro teria sido utilizado para comprar bebida e cigarros.

A testemunha descreveu ainda as condições precárias da casa em que a mãe e a criança moravam: «A casa estava repleta de sacos de lixo, alimentos estragados e roupa suja. Havia fezes de gato na casa de banho».