O juiz chileno Mario Carroza ordenou, na terça-feira, ao Serviço de Medicina Legal a realização de testes de ADN para confirmar se os restos mortais exumados em abril correspondem a Pablo Neruda.

A ordem insere-se no âmbito na investigação para apurar as causas da morte do poeta, no sentido de esclarecer se morreu de cancro ou se foi assassinado durante a ditadura de Augusto Pinochet.

Mario Carroza, encarregado da instrução do processo, explicou aos jornalistas que a ordem, dirigida ao Serviço de Medicina Legal, para a realização de peritagens, visa determinar, de forma científica, a identidade dos ossos.

O corpo que se acredita ser de Neruda foi exumado, a 08 de abril, do túmulo onde se encontrava desde 1992, junto à sepultura de Matilde Urrutia, a terceira mulher, frente ao mar, na Ilha Negra, no litoral chileno, a cerca de 120 quilómetros de Santiago.

O juiz indicou que a diligência será realizada de forma paralela aos resultados dos exames toxicológicos que se esperam que cheguem de Espanha e dos Estados Unidos.

«Estamos a oficiar o Serviço de Medicina Legal para identificar os seus restos com familiares mais próximos», clarificou.

«Se o ADN não coincidir com o dos seus familiares, estaremos em condições de o confirmar, com amostras dos seus pais, que se encontram no sul do país», aditou Carroza, em declarações citadas pela Efe.

Até ao início de 2011, a versão oficial sobre a morte de Pablo Neruda, a 23 de setembro de 1973, era a de que faleceu devido a um cancro na próstata.

A investigação arrancou depois de o Partido Comunista chileno ter pedido a abertura de um inquérito à morte do Nobel da Literatura (1971), após testemunhas a terem atribuído a um assassínio ordenado pela ditadura de Pinochet.