Há cada vez mais russos a emigrarem. Vladimir Paley, um investigador entrevistado pela Reuters, tem-se debruçado sobre o aumento da corrente migratória desde que Putin está no poder.

Estima-se que sejam mais de três milhões os russos que abandonaram o país natal na última década, mas os números oficiais são mais elevados, afiança. Buscam melhores condições de vida, mas também mais liberdade e menos corrupção. As sanções que advêm da crise ucraniana podem estar a precipitar esse êxodo.

Toda a gente conhece alguém que já emigrou ou pensa emigrar. As estatísticas oficiais anunciam que 186,382 saíram em 2013 e 122,751 in 2012, em comparação com os 36,774 de 2011 e os 33,578 de 2010.

São, acima de tudo, pessoas com instrução: classe média-alta e empresários, que cresceram nos primeiros anos de governação de Putin e que agora têm medo de perder esse dinheiro. São emigrantes «desiludidos» com o poder do Kremlin. Por vezes, outra vida e outros negócios. Há trabalhos que nascem à sombra deste êxodo, como um casal que a Reuters encontrou em Paris e que dá aconselhamento a conterrâneos que querem sair da Rússia.

No entanto, como se explica que a popularidade de Putin não esteja em queda? São aqui também os números que o explicam. Perto de 68 por cento da classe média é funcionária pública, que até recebeu um aumento no ano passado após os protestos antigovernamentais nas ruas.