Os hispânicos são cada vez mais a «minoria dominante» dos EUA. Com um peso crescente na política e nos negócios, as comunidades latinas da América revelam diferenças entre si, explica Eric Farnsworth.

Em entrevista exclusiva ao tvi24.pt, o vice-presidente (e responsável em Washington) da Americas Society/Council of the Americas não tem dúvidas em apontar o voto latino como «decisivo» para a reeleição de Obama em novembro de 2012 e aponta uma «evolução» no comportamento dos republicanos para com as comunidades hispânicas.

No entanto, este antigo elemento da equipa de Bill Clinton na Casa Branca (década de 90) e do Departamento de Estado, profundo especialista na América Latina e nas relações dos EUA com os países de maioria hispânica, identifica uma discrepância entre «uma vontade nacional, mesmo junto dos eleitores republicanos, em aprovar a reforma da imigração e a opção local dos congressistas em manterem-se contra, para preservar o seu lugar».

Exclusivo tvi24.pt.

Sondagem recente do «Politico.com» mostra que uma grande maioria do eleitorado republicano apoia uma reforma da imigração. Porque é que isto não é suficiente para os líderes republicanos do Congresso?

A discussão começa na House e nessa câmara muitos lugares dos republicanos dependem dessa questão. A posição de cada congressista é determinada unicamente pela decisão de ser a favor ou contra a imigração. E por isso eles optam por continuar a ser contra. Num plano mais nacional, pode haver até um grande interesse em resolver isto, mas num plano local a situação é bem mais complicada. E é no plano local, e não nacional, que a maioria dos congressistas têm que decidir.



Marco Rubio parece ter feito um certo recuo nesta questão da imigração no último ano, não lhe parece?

Penso que ainda está a tentar encontrar um tom certo entre as sensibilidades da comunidade hispânica e os seus desejos de reforma com o processo de nomeação presidencial, que requer uma abordagem diferente. Ele é um cubano-americano, por isso a experiência com a imigração é diferente da de outros hispânicos. Será muito interessante assistir à evolução de Rubio neste tema nos próximos tempos.

Jeb Bush foi criticado pelas bases republicanas depois de ter dito que vê a imigração ilegal como um «ato de amor» e não tanto como «um crime». Será que a maioria do povo americano tem mais a visão de Jeb Bush ou das bases republicanas?

É difícil sentenciar se essa mensagem terá reflexo na opinião dos americanos, mas o esforço de Jeb Bush nesse ponto é muito interessante de analisar. A mulher de Jeb Bush é originária do México e os seus filhos são bi-raciais. Ele tem, por isso, uma perspetiva diferente da que tem o resto do seu partido sobre este tema. Os americanos gostam de pensar em si próprios como hospitaleiros e pessoas que sabem perdoar. Ao tomar esta posição tão cedo, a tanto tempo das eleições de 2016, Jeb Bush pode ter tentado retirar a discussão sobre a imigração do topo da agenda. Mas não sabemos: alguns vão rejeitar o argumento, outros vão aceitá-lo. E isso pode ser útil para o desenrolar desta discussão.