Notícia atualizada

Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que tentavam entrar este sábado na República Autónoma ucraniana da Crimeia, pelo terceiro dia consecutivo, acabaram por recuar após o registo de tiros de aviso.

O incidente foi relatado por uma fonte da missão citada pela agência noticiosa France Presse.

A fonte afirmou que «provavelmente três tiros» foram disparados quando uma coluna de veículos, incluindo os autocarros que transportavam os observadores internacionais, aproximou-se do posto de controlo ocupado por forças pró-russas.

Também um grupo de homens armados e identificados como russos assumiu o controlo de uma base militar da Ucrânia na cidade portuária de Sevastopol. A tensão mantém-se na Crimeia, com a Polónia a fechar a embaixada apesar dos apelos de paz da União Europeia.

Os homens entraram com um camião num posto de defesa balística daquela cidade da Crimeia sem recorrerem à violência.

Estavam armados e foram identificados como russos. Os homens que esta sexta-feira invadiram e ocuparam uma base militar ucraniana na Crimeia. Os invasores ameaçaram usar armas de fogo mas na base da cidade de Sevastopol ninguém disparou um tiro.

O território da base militar é grande mas eles entraram pelos dois lados. Um camião veio do lado do posto de controlo e outro veio do portão das munições. Grupos de pessoas, entre 35 a 60 pessoas, derrubaram as portas e a vedação para invadirem a base e avisaram-nos que poderiam usar armas de fogo. Conseguimos detê-los mas eles cercaram o posto de comando e tomaram o controlo do edifício de escritórios.

Os homens entraram com um camião no posto de defesa balística e o comandante da base ainda tentou negociar com os ocupantes. Estes, no entanto, não conseguiram ter acesso aos misseis e outras armas armazenadas no local.

De acordo com a BBC, grupos de homens vestidos com o uniforme militar da Rrússia mas sem a insígnia oficial têm estado a bloquear o acesso aos postos do exército da Ucrânia em Sevastopol e outras cidades da Crimeia.

Questionado sobre o incidente o primeiro-ministro (pró-russo) da Crimeira, Sergei Aksionov, garantiu que tudo estava calmo no local.

A Rússia também afirmou estar aberta a ter um diálogo «honesto, igual e objetivo» com os Estados estrangeiros sobre a crise na Ucrânia.

«Estamos abertos a um diálogo honesto, igual e objetivo com os nossos parceiros estrangeiros para encontrar uma maneira de ajudar a Ucrânia a sair da crise», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros numa conferência conjunta em Moscovo com o seu homólogo do Tajiquistão, numa clara referência ao Ocidente.

A Polónia já mandou evacuar a sua embaixada face às investidas russas naquele território, avança a Reuters.

O ministro dos Negógios Estrangeiros ucraniano disse à Reuters que a Ucrânia não vai desistir da Crimeia: «Crimeia é e continuará a ser um território ucraniano», disse Andriy Deshchytsia.

Também o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, assegurou hoje em Atenas que a Ucrânia vai assinar um acordo de associação com a União Europeia (UE), que a anterior administração rejeitou, e que o fará em paz.

«A Ucrânia vai selar a uma associação com a UE, mas vamos fazê-lo de forma a que haja paz. O nosso objetivo é [ter] uma Ucrânia em paz e próspera», garantiu o mandatário durante a sexta Cimeira Europeia das Regiões e Cidades, que termina hoje na capital grega, Atenas.