Um ataque militar à Síria por parte da comunidade internacional estará iminente, mas esta quarta-feira, Barack Obama revelou, em entrevista, que «ainda não tomou uma decisão» sobre uma eventual resposta ao ataque químico que fez centenas de mortos e que, alegadamente, terá sido levado a cabo pelas forças militares do regime sírio.

O presidente norte-americano disse que já recebeu opções das forças armadas dos EUA sobre as possibilidades para um eventual ataque, mas a decisão ainda não está tomada. Obama adiantou, na entrevista à PBS, que não é credível que a oposição rebelde tenha sido responsável pelo ataque químico em causa, tendo em conta os sistemas de disparo utilizados e que por isso é de concluir que os ataques foram levados a cabo pelo governo sírio.

Um eventual ataque dos EUA à Síria poderá ser feito com uma abordagem que não origine um longo conflito, uma repetição da guerra do Iraque, admitiu Obama, sublinhando que a acontecer deverá ser um ataque preciso com o objectivo de evitar futuros ataques químicos. «Sei que muitas pessoas estão preocupadas com um conflito como foi o Iraque», disse.

Questionado pelo motivo de só agora, os EUA equacionarem uma resposta militar à Síria, depois de terem morrido milhares de pessoas e de milhões terem abandonado o país, Obama lembrou que a Síria é um dois países com maior arsenal de armas químicas e que é preciso garantir que as armas químicas não são usadas contra os EUA.

As explicações de Obama chegam depois da oposição norte-americana ter enviado uma carta à Casa Branca, pedindo ao presidente que explicasse aos norte-americanos as razões para uma intervenção numa guerra que, até agora, não era dos EUA.

Ataque militar na Síria só depois de resultados da ONU

Esta quarta-feira, depois de uma pressão inicial às Nações Unidas, o Governo britânico revelou que não vai lançar uma ação militar na Síria antes de conhecer os resultados dos especialistas das Nações Unidas que investigam no terreno um alegado ataque com armas químicas, segundo uma moção que será submetida na quinta-feira no parlamento.

«O secretário-geral das Nações Unidas deve dirigir-se ao Conselho de Segurança imediatamente após o fim da missão da equipa», indica o texto do Governo britânico, citado pela agência France Presse. A moção refere ainda que «o Conselho de Segurança da ONU deve promover este encontro oportunamente e encetar todos os esforços para obter uma resolução [do Conselho de Segurança] que apoie uma ação militar» antes de se avançar para este ataque.

Uma posição semelhante a de Angela Merkel que também veio defender que a Síria não deve ficar «impune» na sequência do ataque químico nos arredores de Damasco.

Também a NATO se pronunciou sobre o ataque químico na Síria, considerando que este «não pode ficar sem resposta». «As informações disponíveis a partir de amplo leque de fontes de pontos apontam o regime sírio como responsável pelo uso de armas químicas nestes ataques», disse Rasmussen em comunicado, após uma reunião de embaixadores da NATO.

O governo sírio continua a negar a autoria dos ataques químicos de dia 21 de Agosto e lança acusações às forças de rebeldes. O representante da Síria nas Nações Unidas defendeu que dezenas de soldados sírios inalaram gás venenoso em novos ataques no país/ e pediu à ONU para investigar.