O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manifestou ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, «enorme inquietação» pelas ações de Moscovo na Ucrânia e apelou às forças irregulares para deporem as armas, informou hoje a Casa Branca.

Durante uma conversa telefónica na segunda-feira, Obama sublinhou a necessidade de «todas as forças irregulares do país deporem as suas armas», e apelou a Putin para «usar a sua influência sobre os grupos armados pró-russos e convencê-los a abandonar os edifícios que ocupam», precisou em comunicado a Casa Branca.

O diálogo entre os dois líderes surge a dois dias da reunião em Genebra entre os representantes da União Europeia, Estados Unidos, Ucrânia e Rússia que procuram uma saída para a crise.

Barack Obama aproveitou a conversa com Putin para advertir uma vez mais a Rússia que irá enfrentar novas sanções se não aceitar os apelos internacionais para que retire as suas tropas da fronteira ucraniana.

«O Presidente Obama sublinhou o crescimento isolamento político e económico da Rússia devido às suas ações na Ucrânia e deixou claro que este irá crescer se o Governo russo persistir nessas ações», explicou a Casa Branca.

O Presidente norte-americano insistiu que a solução diplomática para o conflito é possível, mas advertiu Putin que para cumprir esse objetivo a Rússia terá de desistir da «ameaça militar» nas fronteiras da Ucrânia e da sua «provocação armada».

Obama congratulou-se ainda pelo comportamento do Governo da Ucrânia salientando uma atuação «com um controlo notável» e fazendo esforços para «unificar o país com eleições livres e justas a 25 de maior, procurando uma reforma constitucional e promovendo passos concretos para a descentralização do poder».

A informação da Casa Branca surge depois de o Kremlin ter anunciado que, na conversa com Obama, Putin deu garantias de não-ingerência no leste da Ucrânia.

«A Rússia sublinha que os protestos em Donetsk, Lugansk, Kharkov, Slaviansk e outras cidades do sueste da Ucrânia são o resultado de falta de vontade e incapacidade de liderança de Kiev para proteger os interesses dos russos e a população que faz do russo a sua primeira língua», revelou o Kremlin, segundo a Reuters.

«Em resposta às preocupações expressas pelo Presidente americano sobre uma pretensa ingerência russa no sudeste da Ucrânia, o Presidente russo observou que tais especulações são baseadas em informações sem fundamento», indicou o Kremlin.

Noutro âmbito, um grupo de nacionalistas radicais ucranianos agrediu esta madrugada em Kiev o deputado do Partido das Regiões e candidato presidencial Oleg Tsariov, que ficou ligeiramente ferido.

O ataque aconteceu quando Oleg Tsariov saía dos estúdios de um canal de televisão depois de participar num programa em direto.

O deputado, conhecido pela sua posição pró-russa, foi rodeado de uma multidão quando tentava abandonar o local de carro acompanhado pelos seus guarda-costas.