A guerra ao tráfico de droga levou a que nos anos 80 e 90, nos Estados Unidos, a condenação de pequenos e médios traficantes tivesse diretivas para ser exemplar. Por isso, muitos jovens foram condenados à cadeia sem hipótese de liberdade condicional, apesar de se tratarem de crimes não violentos.

Foi o caso de Scott Walker, condenado a prisão perpétua no estado do Illinois por tráfico de droga em 1999. Agora, a liberdada pode ser assinada por Obama.

O juiz John Phil Gilbert, conhecido por ser mão pesada com os traficantes, assinou a sentença que havia de mudar a vida do homem de 27 anos para sempre. Com efeito, passados estes anos, Walker continua a viver na prisão, onde entretanto tirou um curso de canalizador e estudou de tudo, inclusive, religião.

O jovem começou a traficar droga aos 20 anos quando se mudou com os pais para aquele estado, um pequeno intermediário como tantos numa altura em que a droga fazia as preocupações do presidente dos Estados Unidos, George Bush, que recomendava a caça a todo o traficante e a sua punição exemplar para dissuadir outros a optarem por essa vida.

Hoje em dia, conta o «Huffington Post», a malha da justiça tornou-se muito mais larga para estes casos, com as autoridades muitas vezes a já não perseguirem o pequeno traficante como Walker. Estes processos também já não carecem de um juiz federal para julgá-los.

Mas, o que fazer com uma geração condenada à vida atrás das grades. O juiz John Phil Gilbert também ficou aprisionado ao caso de Scott Walker e, passados quinze anos da detenção, escreveu ao atual presidente Barack Obama a dizer: «A sua sentença muitas vezes tem pesado na minha consciência».

A administração norte-americana até pode ter consciência de que as penas para os pequenos e médios traficantes - uma geração, uma conjuntura - foram pesadas, mas, quem tem a coragem de assinar a liberdade de milhares de traficantes.

Mais perguntas do que respostas, mas Obama já começou a dá-las, timidamente. Há um mês, o presidente assinou a reconversão de duas penas de prisão perpétua para crimes não violentos, permitindo a esses condenados a liberdade condicional.

Scott Walker ouviu o nome de um amigo numa situação semelhante ser chamado. Soube logo que ele ia ser libertado e teve esperança de ouvir o seu nome a seguir. Tal não aconteceu, mas Walker disse ao «Huffington Post» que ainda «acredita na sua liberdade e de que, um dia, vai receber a tal chamada».