Ativistas sírios colocaram na terça-feira, no Youtube, um vídeo que mostra o terror de uma criança que sobreviveu ao alegado ataque com armas químicas na Síria. Um ataque que, de acordo com os opositores do regime do presidente Bashar al-Assad, terá provocado 1.300 mortos nos subúrbios de Damasco e que, a confirmar-se, será o maior caso já denunciado de uso de armas químicas durante a guerra civil no país, que já dura há dois anos.



O vídeo, alegadamente colocado na Internet poucas horas depois do suposto ataque das forças governamentais com gases tóxicos, mostra um profissional de saúde a tentar consolar uma menina que supostamente sobreviveu ao ataque e que está claramente em estado de choque. Não se sabe se o comportamento da criança é o resultado da exposição a substâncias químicas, como alguns especulam, ou de terror simples. A única coisa que ela diz e repete vezes sem conta é: «Estou viva, estou viva».

A edição online do jornal norte-americano «Washington Post», sublinha que, ao contrário de outros vídeos amadores publicados no Youtube, nestas imagens não há sangue, nem morte. A experiência desta menina não revela a extensão das perdas de vidas no ataque de terça-feira nem mostra necessariamente os sintomas da exposição a armas químicas. O que este vídeo revela é uma experiência muito mais comum na Síria: a de sobreviver.

Com todas as pessoas que matam e que morrem no país, é fácil esquecer que a maioria dos sírios se limita a fazer o mesmo que a menina e o profissional de saúde neste vídeo: tentar suportar e superar o sofrimento ao seu redor.

As imagens dos corpos das vítimas de armas químicas representam uma parte importante do que está a acontecer na Síria, mas para muitos observadores externos, essas imagens podem ser tão chocantes quanto alienantes. Mas este vídeo não deixa margem para dúvidas: qualquer pessoa reconhece e compreende uma criança assustada.

Uma versão mais longa do vídeo mostra a menina que se identifica como Younma. O profissional de saúde diz que ela está psicologicamente traumatizada pela morte dos pais. Younma, que implora pelos pais, aparece a determinado momento a tentar convencer o médico ou enfermeiro de que ainda está viva.