Mariela Castro, filha de Rául e sobrinha de Fidel, protagonizou o primeiro voto contra no parlamento cubano. Segundo os vários especialistas ouvidos pela Associated Press, nunca um deputado tinha dito «não» na Assembleia Nacional, onde todas as leis passavam por unanimidade.

O parlamento cubano tem 612 lugares e reúne-se duas vezes por ano. As votações são feitas com as mãos no ar. «Esta é a primeira vez [que há um voto contra], sem dúvida nenhuma», revelou o historiador e ex-diplomata cubano Carlos Alzugarav.

Mariela Castro votou contra o Código do Trabalho, que proíbe a discriminação baseada no sexo, na raça ou orientação sexual, porque acredita que a lei não previne suficientemente a discriminação contra trabalhadores com HIV ou identidade sexual não convencional.

«Não podia votar a favor sem a certeza de que os direitos laborais das pessoas com diferentes identidades sexuais seriam explicitamente reconhecidos», afirmou Mariela, numa recente entrevista ao blog de Francisco Rodriguez, um ativista dos direitos homossexuais.

A votação já foi no dia 20 de dezembro, mas a lei entrou agora em vigor e ativistas cubanos divulgaram a votação de Mariela Castro, uma figura reconhecida dos direitos dos homossexuais na ilha.

«Há alguns avanços na maneira como os assuntos [sobre gays] são discutidos. Acima de tudo, as coisas são discutidas na base, nos locais de trabalho, nos sindicatos e nos agrupamentos partidários», reconheceu a filha de Raúl Castro, acrescentando: «Penso que ainda precisamos de aperfeiçoar a participação democrática dos representantes na Assembleia».

Mariela, que lidera o Centro Nacional de Educação Sexual, do Ministério da Saúde cubano, já garantiu que pretende a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.