O novo primeiro-ministro de França tomou posse esta terça-feira, cerca de 24 horas após a demissão do seu antecessor, que não aguentou a derrota eleitoral no escrutínio local.

Agora, «é tempo de uma nova etapa», como disse o próprio presidente francês. É tempo de escolher a equipa ministerial.

Manuel Valls. É a aposta de François Hollande para liderar o novo governo francês.

Manuel Valls, nascido em Espanha, na Catalunha, é visto como um político de direita dentro do PS francês.

Para fazer face ao desastre eleitoral, François Hollande tem uma receita: «um governo de combate». Um governo de combate liderado pelo até aqui primeiro polícia, o ministro do Interior, Manuel Valls. Nas sondagens, o ministro mais popular de François Hollande, até mesmo apreciado pela oposição de direita. Mas quem é Manuel Valls? De 51 anos, este catalão naturalizado francês, político ambicioso, sobe à ribalta como presidente da câmara de Evry, subúrbios de Paris, onde duplica os polícias municipais e monta uma rede de videovigilância, um balão de ensaio bem-sucedido para governar com êxito a pasta do Interior. Na questão dos ciganos, Valls chegou a dizer que o destino dessas comunidades devia ser o retorno à Roménia ou à Bulgária. Pouco depois retratou-se mas não se livra do rótulo de socialista de direita.

Uma escolha já contestada pela ala mais à esquerda do governo de François Hollande com dois ministros ecologistas a baterem com a porta. A nova equipa terá pela frente a missão de apaziguar as questões sociais: educação, formação da juventude, segurança social com prioridade para a saúde e redução dos impostos para aumentar o poder de compra. E ainda combate ao desemprego.

As linhas a seguir pelo novo chefe de governo tido como autoritário, Manuel Valls tem menos de dois meses até ao próximo exame, as europeias de 25 de maio.