Salsichas e pizzas com carne de porco contaminada com doenças. O alerta vem da associação de inspetores de alimentos e defesa do consumidor (EWFC) a propósito das novas regras europeias de verificação do estado da carne de porco nos matadouros e que o Reino Unido já colocou em vigor a 1 de junho.

Segundo um inspetor contactado pela BBC, o novo regulamento, os inspetores de higiene nos matadouros já não podem cortar as carcaças dos animais e fazem a avaliação a olho nu, um trabalho que pode pecar por insuficiente, já que algumas doenças não são detetadas tão facilmente.

Tuberculose ou E. Coli são alguns dos perigos que se podem esconder, de acordo com um ex-inspetor com quem a BBC falou. Ron Spellman deu um exemplo: No ano passado, houve pelo menos 37 mil cabeças de porcos com abcessos ou tuberculose na cabeça e que não vão ser cortadas agora».

Essa carne vai ser diretamente triturada e usada para carne processada como salsichas, carne picada ou pizzas.

Ora, o técnico e membro da EWFC alerta que cerca de oito milhões de porcos são abatidos por ano.

A secretaria britânica responsável pelo setor da alimentação desdramatiza as acusações. Um porta-voz referiu que «as alterações nas inspeções da carne significam menos corte e manipulação de carcaças e miudezas, reduzindo o risco potencial de espalhar bactérias nocivas para a carne». Mais: «Os porcos continuarão a ser inspecionados por um veterinário e novamente após o abate por um inspetor de carne».

Um recado que também serve para descansar os consumidores além fronteiras: «Todos os porcos para exportação serão inspecionados usando os métodos acordados com os mercados para onde exportam», como disse à BBC.