Mark Weiss, antigo piloto da American Airlines, dirige a equipa de aviação civil do Spectrum Group, empresa baseada em Washington DC.

Este especialista norte-americano em aviação conhece a fundo a operação de investigações e buscas do voo MH370 da Malaysia Airlines, misteriosamente desaparecido a 8 de março passado, minutos depois de ter descolado do aeroporto de Kuala Lumpur, nunca tendo chegado a Pequim.

A experiência de 20 anos a comandar um Boeing 777 em tudo idêntico ao que desapareceu leva-o a apontar para uma hipótese de «algum tipo de luta ter acontecido no cockpit», muito provavelmente provocada por um ou mais intrusos.

A nova fase de buscas, explica Mark Weiss, aponta para que o avião possa ter caído no Índico, algures «entre a Tailândia e o Cazaquistão», ou «mais a sul, entre a Indonésia e a zona sudeste do Oceano Índico».

Entrevista exclusiva ao tvi24.pt.

O «handshake» detetado por um satélite sobre o Oceano Índico, sete horas e pouco depois do desaparecimento dos radares, foi o último sinal objetivo do MH370?

Correto.

É por isso que esta fase de buscas se está a focar nos oceanógrafos e no Índico?

Sim, o que se estima, nesta fase das investigações, é que o avião possa ter caído no oceano, algures entre dois corredores: um situa-se mais a norte, entre a Tailândia e o Cazaquistão; o outro, mais a sul, entre a Indonésia e a zona sudeste do Oceano Índico.

Ainda uma área gigantesca, portanto¿

Sim, infelizmente, é verdade.

A hipótese mais ligada ao Mar da China está afastada?

Sim, essa foi a via dominante nas primeiras semanas, o sul do Mar da China, o sul da península Ca Mau do Vietname. Mas como já expliquei, a rota do avião foi alterada do nordeste para oeste, o que nos leva agora às zonas referidas do Oceano Índico.

Fale-me melhor dessa questão de haver sempre um aeroporto alternativo. Que segurança extra isso dá a um piloto de um Boeing 777?

Dou um exemplo pessoal. No dia em que o MH370 descolou de Kuala Lumpur, por coincidência eu estava em Pequim e voei para Chicago. Estava um dia de sol esplêndido na capital chinesa. O avião em que viajei era um 777, em tudo idêntico ao MH370 desaparecido. A carga horária era também semelhante. No plano do voo onde fui, o aeroporto alternativo era Londres.