O exército da Nigéria foi avisado até quatro horas antes do ataque do grupo armado islamista Boko Haram, em que foram raptadas mais de 240 alunas. É o que confirmam várias fontes consultadas pela Amnistia Internacional.

A ONG descreve o fracasso das autoridades como «uma omissão vergonhosa do Governo na proteção de civis, que são alvos fáceis para tais ataques». Assim o afirmou em comunicado, citado pela CNN, o responsável da secção África da Amnistia Internacional, Netsanet Belay.

A Amnistia Internacional afirma ter obtido tais informações de «fontes credíveis».

«O quartel-general do exército, em Maiduguri, foi avisado de um ataque iminente pouco depois das 19:00 de 14 de abril, ou seja, quase quatro horas antes de o Boko Haram realizar o ataque» na cidade de Chibok, no estado de Borno, lê-se no comunicado.

Mas, ainda segundo a Amnistia Internacional, o exército não conseguiu reunir as tropas necessárias para deter o ataque «devido aos fracos recursos de que dispõe e ao medo de enfrentar os grupos armados [islâmicos], muitas vezes mais bem equipados».

Os 17 soldados estacionados em Chibok foram tomados de assalto pelos atacantes e tiveram de bater em retirada, de acordo com a organização de defesa dos direitos humanos, sediada em Londres.

«O facto de as forças da ordem nigerianas estarem ao corrente do ataque iminente do Boko Haram, mas não terem tido condições de reagir imediatamente para impedi-lo vai ter como única consequência o aumento da indignação nacional e internacional em relação a este crime odioso», declarou Netsanet Belay.

Netsanet Belay salientou que a inação das forças nigerianas «equivale a uma violação grave do dever da Nigéria de proteger os civis». O mesmo responsável sublinhou que as autoridades do país têm o dever de utilizar «todos os meios legais disponíveis para conseguir a libertação segura das jovens e garantir que o mesmo não volta a acontecer».

Netsanet Belay realçou também que mais de três semanas após o sequestro, a maioria das meninas permanecem em cativeiro em local desconhecido. Belay pediu ao grupo Boko Haram que liberte os reféns e cesse com todos os ataques contra civis.

«O sequestro destas meninas é crime de guerra e os responsáveis devem ser levados à justiça. Os ataques a escolas também violam o direito à educação e devem ser interrompidos imediatamente», rematou.