O Governo francês insistiu, esta quarta-feira, que não pagou resgate pela libertação de quatro franceses, sequestrados em setembro de 2010 no norte do Níger por islamitas armados. Mas o jornal «Le Monde» afirma que o regresso dos quatros homens a Paris implicou uma operação de resgate que demorou oito dias, mediante o pagamento de mais de 20 milhões de euros aos sequestradores e meses de negociações.

Daniel Larribe (de 62 anos), Thierry Dol (32), Marc Féret (46) e Pierre Legrand (28) foram sequestrados a 16 de setembro de 2010 numa mina da empresa nuclear francesa Areva, em Arlit, no Níger. A Al-Qaeda no Magrebe Islâmico reivindicou o sequestro.

Em março de 2011, os islamitas pediram 90 milhões de euros pelos franceses, uma proposta que foi rejeitada pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé. Os quatro acabaram por ser libertados na terça-feira e chegaram esta quarta-feira de manhã a Paris. Viajaram desde Niamey, capital do Níger, na companhia do ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, e do ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian. Foram recebidos no aeroporto militar de Villacoublay pelos familiares e pelo Presidente francês, François Hollande.

O Governo francês voltou a dizer que «a França não paga resgate», com o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, a garantir que a libertação do grupo aconteceu pela intervenção do presidente do Níger, Mahamadou Issoufou.

Le Drian, entrevistado pela emissora RTL antes de embarcar em Niamey no avião que iria levá-lo a Paris, afirmou que «graças a experiência» de Issoufou, que ativou as redes do Estado a que preside, foi possível libertar os quatro reféns.

O «Le Monde» noticia, esta quarta-feira, que houve lugar a pagamento de resgate. Uma investigação levada a cabo pelo jornal dá conta que elementos ligados à Direção Geral de Segurança Externa (DGSE), que estão sob alçada do Ministério francês da Defesa, teriam intermediado a entrega de «mais de 20 milhões de euros». O valor serviu para pagar aos sequestradores, mas também aos intermediários que, no terreno, desempenharam um papel importante na libertação de Thierry Dol, Daniel Larribe, Pierre Legrand e Marc Féret.

No começo do ano, o presidente François Hollande declarou que a França não pagaria mais resgates por cidadãos franceses no mundo e que o Governo seria contra qualquer tipo de transação financeira, inclusive por parte de empresas que tivessem funcionários como reféns no exterior.

Sete franceses permanecem em mãos de sequestradores, dois na região do Sahel, no Mali, um na Nigéria e quatro jornalistas na Síria.