O Papa Francisco também está entre os alvos de espionagem da NSA, segundo a revista italiana «Panorama», que antecipou o conteúdo da edição que só chega às bancas nesta quinta-feira.

A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos terá escutado conversas telefónicas realizadas a partir do Vaticano e também da residência onde o então cardeal Jorge Bergoglio estava alojado antes do conclave que o elegeu.

A revista semanal italiana cita documentos que estão na posse de Edward Snowden, ex-técnico da CIA que pediu asilo à Rússia, e onde constam 46 milhões de telefonemas interceptados pela NSA.

O período das escutas decorre entre 10 de dezembro e 8 de janeiro, tal como aconteceu em Espanha, mas há suspeitas de que tenha durado até ao final do conclave, em meados de março.

A «Panorama» recorda que o nome do agora Papa Francisco já surgia nos documentos divulgados pelo portal Wikileaks. Os serviços secretos dos EUA falavam de Bergoglio como um dos papas do conclave de 2005 e noutros documentos constava o mau relacionamento com o presidente argentino Nestor Kirchner.

Além do Papa Francisco também o presidente do Banco do Vaticano, o alemão Ernst von Freyberg, nomeado em fevereiro por Bento XVI após os escândalos do seu antecessor, foi espiado.

A «Panorama» conta, ainda, que as chamadas captadas no Vaticano estavam arquivadas em quatro categorias: «intenções de liderança», «ameaças ao sistema financeiro», «objetivos de política externa» e «direitos humanos».

Contactado pela revista, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse não ter informações sobre o assunto mas que também não existe «nenhuma preocupação a esse respeito».