Nelson Mandela, prémio Nobel da Paz pela sua luta contra o apartheid na África do Sul, morreu esta quinta-feira.

Leia aqui a primeira parte da biografia de Madiba.

Mandela é preso pela primeira vez em 1956, numa altura em que o ANC começa a perder força e a ganhar espaço a fação que defende a luta armada. Nos anos 60 surge o braço armado do ANC, o MK. Por esta altura, Mandela já se divorciou da primeira mulher e casa com uma assistente social, Winnie, de quem vem a ter duas filhas.

Em 1961 lidera a greve geral de três dias e é preso e condenado a cinco anos de prisão, pena agravada num segundo julgamento, que dita a prisão perpétua, depois de ter saído da África do Sul com um nome falso para obter apoios para a luta armada.

«Lutei contra o domínio branco, lutei contra o domínio negro. Defendi o ideal de uma sociedade livre e democrática em que todas as pessoas possam viver juntas, com harmonia, e em igualdade. É o ideal pelo qual vivo e hei-de alcançá-lo. Mas, se for preciso, também é um ideal pelo qual sou capaz de morrer». A defesa que apresenta no julgamento de 1964.

Contrai tuberculose na cadeia, mas, apesar da falta de condições, tenta acabar o curso de Direito na Universidade de Londres, por correspondência. Mandela pode estar preso, mas não está escondido do mundo e o governo sul-africano é obrigado a conviver com a contestação internacional e o movimento entretanto criado para a sua libertação. (Um antigo agente dos serviços secretos do país confessou nas suas memórias que o governo chegou a orquestrar um plano de fuga para Mandela de modo a matá-lo na recaptura. O plano foi frustrado pelos serviços de inteligência britânicos).

Foram 27 anos na cadeia, uma vida. Não esteve presente no funeral da mãe, em 68, nem do filho mais velho, em 69. A liberdade só chega a 11 de fevereiro de 1990 e com o presidente Willem de Klerk. O antecessor tinha oferecido a liberdade a Madiba em 1985 em troca do fim da luta armada, mas este recusou. À saída do cárcere, Mandela reitera que o braço armado se há-de manter até os negros terem direito de voto, mas não fecha a porta às negociações com o presidente sul-africano, ainda que por vezes tensas, na direção da primeira eleição presidencial multirracial. E juntos chegam a Oslo, na Noruega, para receber o prémio Nobel da Paz, pelo esforço empregue no fim do apartheid.

As eleições têm lugar a 27 de abril de 1994. A 10 de maio, o líder do ANC (eleito em 91), Nelson Mandela, torna-se no primeiro presidente negro da África do Sul, com 77 anos, sucedendo a Klerk, que o acompanha. No mesmo ano, publica a sua autobiografia: «O longo caminho para a liberdade».

Entre 1995 e 1999 coloca a África do Sul nas bocas do mundo, levando o mundial de râguebi para o país, mexe na economia, reforça os direitos das minorias. Um dos pontos altos da sua magistratura é a nova Constituição, em 1996, ano também em que se divorcia da segunda mulher e casa pouco tempo depois com Graça Machel, a viúva do antigo presidente moçambicano e ativista dos direitos das crianças.

Abandona a política em 1999, mas não para. Com a sua fundação constrói escolas e hospitais e continua a defesa dos direitos civis.

A vida ia já longa, mas ainda não tinha pregado partidas suficientes. Em 2001 é-lhe diagnosticado um cancro na próstata. Mais uma provação que superou. Aos 85 anos retira-se da vida pública e regressa à terra natal, com a mulher, Graça Machel.

A sua última grande aparição é no Mundial de Futebol, em 2010, que teve lugar na África do Sul. É um Nelson Mandela já debilitado que sobe ao palco da bola, o homem que faz parte do palco do mundo.

«Só posso descansar por um momento, com a liberdade vêm as responsabilidades, não me posso demorar, a minha caminhada ainda não terminou».

Terminou esta quinta-feira.