Um homem de 89 anos, suspeito de ter sido guarda das SS no campo de concentração nazi de Auschwitz, na Polónia, morreu horas antes de ser aprovada a sua extradição para a Alemanha, onde ia ser julgado pelos seus crimes.

Johann Breyer morreu, esta terça-feira, num hospital da Filadélfia, nos EUA, onde foi internado depois de um mês na prisão, segundo disseram o advogado do suspeito e fonte dos US Marshals, à AP.

A sua morte foi anunciada horas antes do magistrado Timothy Rice aprovar o requisito de extradição, que ainda necessitaria de aprovação do Governo dos EUA.

Rice acredita que Breyer é o homem procurado pelas autoridades alemãs por suspeitas de ter servido como guarda no campo de extermínio de judeus de Auschwitz, durante a segunda guerra mundial.

Breyer era suspeito de ter ajudado a matar 216 mil judeus, homens, mulheres e crianças, no campo de concentração. No entanto, o suspeito negava as acusações e afirmava que não sabia o que estava acontecer no campo de extermínio quando lá trabalhou. O juiz discordava da sua opinião.

«Um guarda como Breyer não poderia ter estado em Auschwitz em 1944 sem saber que centenas de milhares de seres humanos estavam a ser exterminados nas câmaras de gás e cremados no mesmo local», escreveu Rice na decisão que ditou a prisão do suspeito.

«Um cortejo diário de comboios entregava centenas de milhares de homens, mulheres e crianças, que desapareciam durante a noite. (..:) Breyer não pode negar a sua cumplicidade, e de outros, naqueles horrores», continuou.

Breyer tinha admitido, numa entrevista à AP em 2012, que trabalhou em Auschwitz, mas numa zona do campo que não tinha ligação com o extermínio dos judeus.

«Eu não matei ninguém, eu não violei ninguém. E não tenho sequer uma multa de trânsito aqui [nos EUA]. Eu não fiz nada de mal», disse Breyer.

O homem tinha sido detido em junho, em sua casa, na Filadélfia, depois das autoridades alemães terem emitido um mandado de captura em 2013.

«É uma realmente infeliz que Breyer não tenha sido levado à justiça depois dos esforços feitos para o responsabilizar pelos seus serviços em Auschwitz», afirmou Efraim Zuroff, responsável pela perseguição de Nazis do Centro Simon Wiesenthal em Jerusalém.

«Este retrocesso não deve desencorajar novos esforços para trazer outros criminosos à justiça nesta altura», continuou.

O caso de Breyer faz parte de uma nova vaga de acusações a ex-SS, que são acusados apenas por terem trabalhado no campo.

Até um precedente ser aberto em 2011, apenas tinham sido julgados e condenados aqueles que tiveram participação ativa no extermínio de judeus e outras etnias nos campos de concentração.

O primeiro caso foi o de John Demjanjuk, guarda no campo de Sobibor, na Polónia, condenado em 2011, e que também vivia nos EUA. Acabaria por falecer em liberdade, de causas naturais, numa casa de repouso, na Alemanha, enquanto esperava resposta do seu recurso.