O plano de paz admitido por Vladimir Putin para pôr fim ao conflito com a Ucrânia não convence a NATO, já que o leste da Ucrânia continua sob ataque.

«A Rússia está a atacar a Ucrânia», lembrou o secretário-geral da NATO, Rasmussen, aos jornalistas, antes da cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que arranca precisamente esta quinta-feira na cidade britânica de Newport.

Rasmussen salientou que a organização acolhe «todos os esforços para se encontrar uma solução pacífica para a crise na Ucrânia», mas « o que conta é o que realmente acontece no terreno e o que estamos a testemunhar, infelizmente, é o envolvimento russo na desestabilização da situação no leste da Ucrânia», cita a Reuters. Parece implícito o ditado que diz que de boas intenções...

7 passos para a paz

Ontem, Putin mostrou aos jornalistas um bloco de notas onde apontou o resumo da conversa por telefone com o seu homólogo ucraniano, Poroshenko. A lista do plano de paz incluirá sete pontos:

1º As forças armadas e os rebeldes separatistas devem parar com as ofensivas nas regiões de Donetsk e Luhansk;

2º O exército ucraniano deve retirar suas tropas a uma distância segura que impeça que as cidades sejam alvo de ataques e bombardeamentos;

3º Implementar um controlo por parte da comunidade internacional, completo e objetivo, sobre a observação e a monitorização do cessar-fogo;

4º Excluir o uso de aviões de combate contra civis e povoações;

5º Libertar e trocar prisioneiros, através de uma fórmula que não implique condições prévias;

6º Implementar corredores humanitários para a movimentação de refugiados e entrega de ajuda humanitária em Donetsk e Lugansk;

7º Criar uma equipa para reabilitar as infraestruturas destruídas na região.

Ontem o dia foi de um vaivém constante de ditos e não ditos sobre um cessar-fogo permanente, que afinal se verificou ser apenas um clima de tréguas.

Certo é que se nota que o clima ainda é de grande tensão entre a Ucrânia e a Rússia e entre a Rússia e a NATO. Moscovo anunciou ontem mesmo que vai avançar ainda este mês com grandes exercícios envolvendo arsenal nuclear estratégico, envolvendo mais de 4.000 soldados. Uma resposta à NATO, que quer mandatar uma força de intervenção rápida, capaz de atuar em apenas 48 horas, para mediar o conflito.

EUA e Reino Unido prometem apoio contra Rússia

«A Rússia rasgou o livro das regras com a anexação ilegal e autoproclamada da Crimeia e com as suas tropas em solo ucraniano, ameaçando e minando uma nação soberana», lê-se numa declaração conjunta de Obama e Cameron publicada esta quinta-feira no jornal «The Times».

E reforçam o argumento: «Com a Rússia a tentar forçar um Estado soberano a abandonar o seu direito à democracia e a determinar o rumo do seu futuro na ponta da baioneta, devemos apoiar o direito da Ucrânia a determinou o seu próprio futuro democrático e continuar os nossos esforços para potenciar as capacidades ucranianas».

E já esta quinta à tarde, enquanto se discute a situação em Gales, numerosas explosões ocorreram perto do estratégico porto ucraniano de Mariupol junto ao mar de Azov, constataram jornalistas da agência France Presse. Os soldados ucranianos dizem enfrentar blindados dos separatistas pró-russos.

«Nós resistimos, mas é muito difícil com armas de fogo contra blindados», declarou à AFP Serguii, um voluntário de um batalhão leal a Kiev numa barreira na saída leste da cidade.