O presidente da região autónoma da Galiza disse esta sexta-feira, a propósito da polémica reforma da lei do aborto em Espanha, que «não gostaria de ver as mulheres galegas a atravessar a fronteira para irem abortar em Portugal».

Alberto Núñez Feijóo é um dos muitos políticos do Partido Popular, no Governo em Madrid, a criticar o polémico anteprojeto para a reforma da lei do aborto proposta pelo ministro da Justiça, Alberto Ruíz-Gallardón, e aprovado em Conselho de Ministros. A revisão proposta restringe o direito à interrupção voluntária da gravidez, que agora é livre até às 14 semanas de gestação, aos casos de violação ou quando a saúde da mãe estiver em risco (comprovado por dois atestados médicos).

Numa entrevista à Rádio Nacional de Espanha (RNE) Alberto Núñez Feijóo, defendeu que a reforma do aborto «deve adequar-se ao contexto europeu» e mostrou-se confiante em que a nova lei alcance «o máximo de consenso possível». «Temos consciência de que vivemos colados a Portugal e não gostaria que houvesse pessoas em Espanha a cruzar a fronteira para realizar atos não permitidos no meu país, o que não significa que defenda a adoção da legislação portuguesa sobre o aborto, também vivemos colados a França», afirmou.

Interrogado sobre se tem conhecimento de que muitas mulheres galegas estão dispostas a abortar em Portugal, caso seja aprovada a reforma apresentada pelo ministro da Justiça, o presidente da «Xunta» respondeu que isso acontecia «antes de 1985». Por esse motivo, disse o líder popular galego, «não se pode garantir com certeza que o mesmo não voltará a suceder se houver uma legislação muito estrita». Feijóo defendeu, no entanto, que o aborto deverá obrigar a «uma série de garantias terapêuticas e sanitárias».

Alberto Núñez Feijóo desvalorizou as divergências no seio do Partido Popular por causa da proposta de reforma, que mereceu a crítica quase consensual dos partidos da oposição. O presidente da «Xunta» assegurou que o partido concedeu aos membros «a liberdade que merecem as pessoas em assuntos difíceis» e garantiu que «o Governo pretende alcançar o maior consenso possível».

O presidente da região autónoma da Galiza lembrou que o anteprojeto ainda se encontra numa fase de consulta e discussão no Congresso e que, por isso, «apesar de se manterem os princípios gerais do texto, as questões concretas ainda podem ser ajustadas». Nesse sentido, Feijóo exortou os deputados a «legislar para o conjunto dos espanhóis», para que a reforma tenha «uma vocação de permanência».