Enquanto o mundo celebra o 95.º aniversário de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul continua internado numa clínica privada em Pretória e o seu estado continua a ser considerado crítico, apesar das declarações de otimismo, nomeadamente do ex-presidente Thabo Mbeki.

Thabo Mbeki deu a entender, em declarações recentes, que a saída de Nelson Mandela do hospital poderia estar próxima, mas a presidência sul-africana reafirmou na terça-feira que não se registaram mudanças no estado de saúde de Madiba, como é conhecido na África do Sul.

Nelson Mandela mantém-se em estado «crítico, mas estável» desde 27 de junho, respira com a ajuda de uma máquina e continua a comunicar com o olhar com a sua família, referiu a presidência. Hospitalizado há mês e meio, Mandela sofre de uma infeção pulmonar recorrente, uma sequela dos 27 anos de prisão.

Nascido a 18 de julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela foi eleito em 1994 o primeiro presidente negro da África do Sul, depois de décadas de luta contra o regime segregacionista da minoria branca que governou a África do Sul.

Herói da luta anti-apartheid, liderou com o último presidente imposto pela minoria branca, Frederik de Klerk, uma transição para a democracia baseada na reconciliação nacional, o que lhe valeu a atribuição do prémio Nobel da paz em 1993. O mundo agradece-lhe das mais cariadas maneiras:

Coros infantis, uma subida ao Kilimanjaro e bandeiras na Volta à França são algumas das ações organizadas para assinalar esta quinta-feira o 95.º aniversário do líder histórico sul-africano Nelson Mandela, que continua hospitalizado em Pretória em estado crítico.

As Nações Unidas declararam em 2010 18 de julho como o «Mandela Day» e, nesta data, a organização apela a todos os cidadãos para que façam uma boa ação em honra do antigo presidente sul-africano e consagrem simbolicamente 67 minutos à memória dos 67 anos de militância política e pela paz de Nelson Mandela.

As Nações Unidas realizam, em Nova Iorque, um reunião informal da sua assembleia geral que terá como oradores o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, o reverendo Jesse Jackson, o ator e ativista Harry Belafonte e Andrew Mlangeni, 87 anos, amigo próximo de Mandela e que com ele esteve preso.

Elementos da missão sul-africana na ONU e do consulado da África do Sul em Nova Iorque irão ainda ajudar a reconstruir casas destruídas em outubro pelo furacão Sandy e distribuirão fruta e postais comemorativos do Dia Internacional Nelson Mandela numa das principais avenidas da cidade, num resumo da Lusa.

Na África do Sul, um coro de milhares de crianças sul-africanas cantará os parabéns a Nelson Mandela logo pela manhã.

Fora da África do Sul, várias celebridades, como o magnata britânico Richard Branson, prometeram envolver-se nas iniciativas «e dar 67 minutos para tornar o mundo melhor».

E dos Estados Unidos, o presidente, Barack Obama, publicou na quarta-feira uma calorosa mensagem homenageando Nelson Mandela, na véspera dos 95 anos do herói da luta contra o apartheid, atualmente hospitalizado.

Quase três semanas depois da sua visita à África do Sul, o dirigente norte-americano expressou os seus melhores «desejos e orações» a Mandela, assim como à sua família e povo sul-africano, num comunicado difundido na noite de quarta-feira pela Casa Branca.

«A nossa família ficou profundamente comovida pela visita da cela de Madiba (nome por que é conhecido Mandela), na Ilha Robben, durante a nossa recente viagem à África do Sul», afirmou Obama na mensagem, ao saudar «o exemplo extraordinário de coragem, de gentileza e de humildade» do antigo Presidente sul-africano.