O maestro italiano Claudio Abbado, de 80 anos, considerado um dos maiores artistas do mundo, morreu esta segunda-feira na sua casa em Bolonha, no norte de Itália, anunciou uma colaboradora próxima, citada pela agência francesa de notícias AFP.

Attilia Giuliani, amiga pessoal do maestro e presidente da sua associação de fãs - os «Abbadiani» - adiantou ter confirmado a notícia com «um dos médicos pessoais» de Claudio Abbado.

Claudio Abbado, que foi nomeado senador vitalício em Itália em agosto do ano passado, exerceu o cargo de diretor musical do teatro La Scala, em Milão, tendo também sido principal regente das orquestras sinfónicas de Londres, de Berlim e de Chicago.

O maestro, que costumava defender que «a cultura é tão essencial à vida quanto a água», foi também diretor musical da Ópera de Viena.

A reação do presidente da Câmara de Florença foi uma das primeiras a surgir, quando Matteo Renzi escreveu na rede social Twitter sobre a «generosidade [do mastro] para com Florença» e lembrou a sua «grandeza extraordinária».

Claudio Abbado já estava doente e os seus concertos com a Orquestra Mozart de Bolonha, que dirigia há alguns anos, tinha sido cancelados em dezembro devido às suas condições de saúde.

Foi diretor do Scala entre 1968 e 1986, antes de ter sido nomeado maestro principal da Orquestra Sinfónica de Londres e, depois, diretor musical da Ópera de Viena.

Nomeado, em agosto do ano passado, senador vitalício pelo Presidente da República de Itália, Giorgio Napolitano, «pelos seus méritos», Abbado renunciou ao subsídio que iria receber como senador, dedicando-o ao financiamento de bolsas de estudo para jovens músicos.

Muito longe do estereótipo de maestro tirano, Claudio Abbado lançou centenas de discos, quer de música lírica, quer de música clássica do século XX.

Nascido em Milão em junho de 1933, Abbado provinha de uma família de músicos, tendo começado os seus estudos na sua cidade natal, apesar de, depois, os ter completado em Viena, quando, em 1957, foi acompanhado e formado pelo maestro austríaco Hans Swarowsky.

O maestro entrou no La Scala em 1960, onde foi elogiado pelo seu desempenho na ópera de Giacomo Manzoni «Atomtod», em 1965, e aí se manteve como diretor musical até 1986.

De convicções esquerdistas, Abbado deu vários concertos em fábricas e escolas porque considerava que isso poderia abrir o mundo à música clássica.

A partir de 1971, tornou-se também presença regular na Filarmónica de Viena e, entre 1979 e 1988, regeu a Orquestra Sinfónica de Londres, onde foi elogiado pelos concertos do seu compositor favorito: Gustav Mahler.

Abbado foi ainda diretor musical da Staatsoper de Viena entre 1986 e 1991 e recebeu o prestigioso título de diretor musical geral da capital austríaca («Generalmusikdirektor»).

Eleito mastro principal da Filarmónica de Berlim pelos seus pares em outubro de 1989, depois da morte do seu antecessor Herbert von Karajan, foi aí que trabalhou até 2002.

«Eu não sou o patrão, trabalhamos juntos», costumava dizer sobre os músicos da orquestra de Berlim.