As imagens de três primeiros-ministros sorridentes e uma primeira-dama com um ar «carrancudo» não só fizeram as manchetes dos tablóides desta quarta-feira, como se tornaram virais. O efeito da #selfie de Cameron, Obama e a primeira-ministra dinamarquesa ofuscou em alguns casos o evento principal, neste caso apenas o memorial de Nelson Mandela, e noutros ofuscou ainda o aperto de mão histórico entre Obama e Raul Castro. A onda de polémica é portanto, gigante.

Nos EUA, os adversários de Obama não perderam a oportunidade de criticar o Presidente, nomeadamente, nas redes sociais, alegando que «como se pode ver é tudo sobre ele». Em Inglaterra, os tablóides fizeram do tema manchete e o Sun fez mesmo uma alusão à falta de respeito por Mandela. («No selfie respect»). Afinal, era de um serviço fúnebre que se tratava.

Helle Thorning-Schmidt, a primeira-ministra da Dinamarca, já veio reagir à polémica e em declarações ao jornal «Berlingske» disse que a foto apenas «mostra que somos pessoas que se divertem juntas» e acrescentou que «não foi uma atitude deslocada».

A dimensão do estrago será difícil de medir, pelo menos para já, até porque, para cada crítica há também um defensor do «momento giro» protagonizado pelos líderes mundiais. A Casa Branca, Obama e Michelle não se pronunciaram sobre o «fait divers». Aliás, uma das poucas reações vem do fotógrafo da AFP que desmente que a Michelle Obama estivesse «chateada» durante as cerimónias.

Roberto Schmidt escreve no blogue da AFP um artigo intitulado «A história por detrás daquele #selfie». O fotógrafo da imagem que capta a primeira-ministra dinamarquesa a tirar a foto com o telemóvel sustenta que Michelle Obama estava a sorrir segundos antes da fotografia que se tornou viral.

«As fotografias podem mentir. Na realidade, apenas alguns segundos antes, a primeira-dama estava ela própria a brincar com os que estavam à sua volta, incluindo Cameron e Schmidt», explicou.

Sobre o momento da captura da imagem, Schmidt descreve ainda que no Estádio vivia-se um «ambiente de carnaval», próprio do espírito sul-africano, mais do que um ambiente «mórbido» de um funeral. «Eu não vi nada chocante do meu visor. Presidente dos EUA ou não. Estávamos em África», explica, lembrando que já tinham decorrido duas horas de cerimónia e vinham mais duas a caminho.

Segundo o fotógrafo da AFP, Michelle teria estado bem disposta durante a cerimónia, mas as imagens de outros fotógrafos, nomeadamente da Reuters, dão conta de mais momentos de «má cara» de Michelle e por fim de uma mudança de lugar com Michelle a sentar-se entre Obama e a PM da Dinamarca. Coincidência?

Com zanga ou sem zanga, com ou sem intervenção da Casa Branca, a foto das pazes foi hoje divulgada. Obama e Michelle chegam descontraidamente a casa, de mão dada, a partilhar um olhar cúmplice para as objetivas credenciadas da administração Obama.

Como sempre fizeram, como deve ser e sem telemóveis na frente.