A revista «Spiegel» publicou esta segunda-feira um trabalho de investigação no qual demonstrou que o gabinete da chanceler alemã realizou mais de 600 sondagens secretas entre 2009 e 2013.

As conclusões dos inquéritos foram refletidas depois em discursos ou medidas de Angela Merkel, mostrando que a governação foi diretamente influenciada pela opinião pública.

As sondagens, encomendadas a empresas privadas e com um custo de cerca de dois milhões de euros por ano, só tinham até agora sido disponibilizadas a um círculo restrito. Muitas figuras próximas do governo ou do partido não sabiam da sua existência, refere o «The Telegraph», que teve acesso a todo o trabalho da «Spiegel».

A revista fez mesmo uma ligação entre algumas das decisões mais importantes de Merkel e sondagens feitas na mesma altura, incluindo a «mão de ferro» sobre países como Portugal e a Grécia. Afinal, a defesa da austeridade baseava-se nestes inquéritos à população alemã e não apenas na ideologia.

Mas a chanceler não seguiu a vontade dos seus eleitores à risca: por exemplo, entre as sondagens analisadas, os alemães defendiam a expulsão da Grécia do euro e Merkel não lhes fez a vontade.

Esta informação foi revelada agora devido a um pedido dos Verdes alemães, mesmo tendo sido «travada» durante vários meses pelo governo da chanceler alemã.

«Tudo o que é pago com os impostos deve estar disponível. Como partido, só conseguimos pagar uma grande sondagem na última campanha. Com 600, Merkel pode planear uma campanha mais direcionada e evitar um erro ou outro», lamentou Malte Spitz, dos Verdes, que efetuou o pedido.

Esta notícia contraria o que a própria Merkel sempre afirmou: «Estou a fazer o que eu penso que é certo e importante. Avaliar isso só pelas sondagens seria completamente errado».