O presidente francês, François Hollande, fez um ultimato aos Estados Unidos: «parem imediatamente» com a espionagem, revela a agência France Presse,

Também a chanceler alemã Angela Merkel vai pedir explicações diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre as alegadas escutas ao governo alemão. As relações arrefecem entre as duas potências, mas a Alemanha adverte a América de que já não estamos na «Guerra Fria».

«Face a estas alegações, o presidente [José Manuel Durão] Barroso instruiu os serviços competentes da Comissão para procederem a uma verificação abrangente», fez saber a Comissão Europeia.

Através do seu porta-voz, Merkel fez saber que espiar os «amigos» é inaceitável. «Se se confirmar que representações diplomáticas da União Europeia e países europeus foram espiados, nós dizemos frontalmente que isso é inaceitável. Já não estamos na Guerra Fria», afirma Steffen Seibert, porta-voz de Angela Merkel, citado pela Reuters.

Para esta segunda-feira também está previsto um encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão e o embaixador norte-americano no país.

Quando há umas semanas, estalou o escândalo relacionados com as escutas feitas pela administração americana, denunciadas por Edward Snowden, e que levantou as dúvidas sobre a privacidade na sociedade norte-amerciana sobre se concordavam com este «Big Brother is watching you» (O Grande Irmão está a ver), essa foi, afinal, a ponta do iceberg. O escândalo das escutas já atravessou o oceano e desembarcou na Europa.

A revista alemã «Der Spiegel» denunciou na edição de sábado que os Estados Unidos alegadamente espiaram a União Europeia. Depressa surgiu a reação por parte da instituição. Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, considerou, em declarações do britânico «The Guadian», que se revista estiver certa, a existência das escutas vai provocar «um impacto grave» nas relações entre a Europa e os Estados Unidos.

Meio milhão de comunicações que os serviços secretos americanos monitorizam, para além dos edifícios da União Europeia. A revista «Der Spiegel» diz que, por razões de segurança dos próprios funcionários do organismo norte-americaco NSA não revela as operações a que teve acesso, mas lança o debate sobre a vigilância geral das comunicações. No fundo, acrescenta a revista, o debate que Snowden quis provocar na praça pública ao denunciar as escutas. «O público precisa de decidir se essas escutas são certas ou erradas».

Barack Obama, que esteve recentemente em Berlim, defendeu a necessidade das escutas para evitar ataques terroristas. O chefe da NSA concretizou: já foram evitados dez ataques terroritas graças às escutas.

Tema sensível aos alemães, por exemplo, que viram um tribunal em 2010, proibir as informações «boundless», ou seja, captações praticamente em tempo real que não detetam o conteúdo, mas ficam com os números de telefones e, de seguida, criam mapas de referência que ligam esses números no mundo. O artigo 10º da Constituição alemã é perentória: «a privacidade da correspondência e telecomunicações é inviolável».

A dimensão é, nas palavras da revista, «inimagináveis», o que equivale a dizer que são «recolhidos dados de 15 milhões de conexões telefónicas e dez milhões de dados recolhidos na Internet». Em média. Mas, a capacidade pode ser muito maior. Por exemplo, a 7 de janeiro, as ligações espiadas sobem para «60 milhões». A espionagem da NSA permite a criação de «perfis» e até a previsão dos comportamentos das pessoas monitorizadas».

A «Der Spiegel» também conclui que não há anjos nesta história, já que todos os serviços secretos podem apresentar argumentos para espiar cidadãos com exceção dos seus próprios nacionais pelo que, consequentemente, trocam informações.