Muitos imigrantes ucranianos residentes em Portugal registaram-se propositadamente para votar nas eleições presidenciais ucranianas, agendadas para domingo, disse hoje à Lusa o líder desta comunidade, indicando que o número de eleitores ultrapassa os quatro mil.

Em declarações à Lusa, Pavlo Sadokha, presidente da associação dos ucranianos em Portugal, explicou que muitas pessoas desta comunidade fizeram um esforço financeiro e «registaram-se de propósito para votar nestas eleições».

O representante explicou que os imigrantes ucranianos registados poderão exercer o direito de voto na embaixada em Lisboa e no consulado no Porto, entre as 08:00 e as 20:00 de domingo.

Em Lisboa, segundo Pavlo Sadokha, estão registados cerca de três mil ucranianos e no Porto ronda os 1.800.

«São cerca de 4.800, o triplo da participação das eleições para o Parlamento ucraniano em 2012», sublinhou o representante.

Pavlo Sadokha afirmou ainda ter informações de que imigrantes que vivem em outras zonas do país, como no Algarve, organizaram-se e vão deslocar-se em autocarros até aos locais de voto.

Ao longo dos últimos meses, os ucranianos radicados em Portugal têm acompanhado os desenvolvimentos da crise na Ucrânia e têm promovido várias ações de protesto e de sensibilização.

Uma das últimas iniciativas ocorreu no início de maio na Praça do Comércio, em Lisboa, para condenar a atuação do Presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia e pedir a ajuda dos portugueses.

Segundo os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) divulgados no ano passado, relativos a 2012, os imigrantes ucranianos permaneciam como a segunda comunidade estrangeira mais representativa (44.074) em Portugal.

A Ucrânia realiza no domingo eleições presidenciais extraordinárias, convocadas após o afastamento do presidente Viktor Ianukovich, considerado pró-Moscovo, com o país mergulhado num conflito armado entre as forças do governo provisório e a insurgência pró-russa do sudeste do país.

A grande incógnita destas eleições é como vai correr a votação nas regiões de Lugansk e Donetsk, autoproclamadas ¿repúblicas populares independentes¿ que representam cerca de 15% da população da Ucrânia, como escreve a Lusa.