O diretor do jornal francês «Libération», Nicolas Demorand, não aguentou a pressão e demitiu-se depois de greves dos trabalhadores e diálogo falhado.

A ideia dos acionistas do «Libération» era transformar aquele jornal numa espécie de rede social e de espaço cultural. Descontentes, os trabalhadores realizaram duas greves. Se dúvidas houvesse, a redação tomou uma posição de força no último fim-se-semana. «Nós somos um jornal», podia ler-se na manchete.

Mais: «Não somos um restaurante, uma rede social, um espaço cultural, um cenário de televisão, um bar, uma incubadora de "start-up". Os trabalhadores do "Libération" respondem ao projeto dos acionistas.» Era assim o resto da primeira página, sendo que várias outras no interior do diário eram dedicadas a este tema. Foi entretanto impedida a publicação de um texto do então diretor.

A proposta dos acionistas do «Libé» - fundado em 1973 e cujas vendas têm vindo a descer - é alterar a sede, criando um espaço cultural, com uma redação multimédia, estúdios de televisão e de rádio, uma zona para conferências, uma incubadora de «start-up», um bar e um restaurante, mudando também assim a matriz editorial fundadora.

Despedida por «mail»

«Este "mail" serve para vos informar que me demiti esta manhã. Espero do fundo do coração que a minha saída facilite o diálogo, que deve ser renovado, para que o jornal possa sair da crise que atravessa», disse Nicolas Demorand (diretor desde Março de 2011), citado na manhã desta quinta-feira no «site» do «Libération».

Numa entrevista publicada na edição «on-line» do «Le Monde», também na manhã desta quinta-feira, Demorand explica que a gota de água que o levou a afastar-se do cargo foi quando, no passado dia 7 de Fevereiro, se viu impedido de publicar um texto seu nas páginas do jornal.

Na mesma entrevista, afirma também que ainda nesta quarta-feira recebeu o «apoio pleno dos acionistas». Contudo, nos quase três anos à frente daquele diário generalista, Demorand foi alvo de quatro moções de censura por parte dos jornalistas.