A equipa namibiana que investiga o acidente de novembro com o avião da companhia moçambicana LAM vai deslocar-se na próxima semana a Maputo para traçar o perfil psicológico do comandante do voo, Hermínio Fernandes, informaram as autoridades namibianas.

Em declarações ao jornal namibiano New Era, na terça-feira, o diretor do Departamento de Investigações de Acidentes com Aeronaves da Namíbia, Erickson Nengola, organização que lidera as perícias ao acidente, disse que o objetivo da deslocação é apurar se o piloto tinha ou não «intenção de fazer despenhar o avião».

O relatório preliminar do acidente, divulgado a 21 de dezembro, aponta para a «clara intenção» do experiente comandante moçambicano Hermínio Fernandes em fazer despenhar o Embraer 190, de fabrico brasileiro, numa aparente tese de suicídio.

«A investigação passou do fator aeronave para o fator humano», explicou Nengola.

De acordo com o New Era, Nengola confirmou que os corpos dos 33 ocupantes, incluindo sete cidadãos de origem portuguesa, já foram identificados.

O voo TM-470 despenhou-se na Namíbia, no Parque Nacional de Bwabwata, entre Angola e o Botsuana, a 29 de novembro.

A bordo seguiam 27 passageiros e seis membros de tripulação e não houve sobreviventes.

Namíbia reclama direito «único» de divulgar informações

A Namíbia alerta que é o «único país com direito a divulgar publicamente informações» sobre o desastre, numa declaração aparentemente destinada a Moçambique.

Também em declarações ao New Era, Erickson Nengola advertiu que só as autoridades locais podem divulgar publicamente informações sobre o desastre aéreo da aeronave das Linhas Aéreas de Moçambique, que se despenhou naquele país, a 29 de novembro, vitimando as 33 pessoas a bordo, incluindo sete cidadãos de origem portuguesa.

«A Namíbia é o Estado de ocorrência e é responsável por todos os comunicados de imprensa e divulgação do relatório final, e não o Estado do operador [Linhas Aéreas de Moçambique]. Alguns Estados têm feito comentários sobre este acidente, o que não está em consonância com as convenções da Organização Internacional de Aviação Civil [ICAO]», disse Nengola.

A 21 de dezembro, o Instituto Nacional de Aviação Civil de Moçambique divulgou o relatório preliminar sobre a queda do avião da LAM, na Namíbia, numa atitude que o investigador moçambicano Alves Gomes, que está a realizar uma investigação privada sobre o desastre, classificou como «estranha» e alheia às normas do ICAO.

Moçambique, Angola, Brasil, Estados Unidos, Botsuana e Namíbia são os países envolvidos na investigação do acidente.