O estudante Lucas de Lima, de 18 anos, um dos criadores de «rolezinhos» em centros comerciais de São Paulo, no Brasil, morreu no sábado, depois de uma discussão numa festa, na zona leste da cidade.

De acordo com o testemunho de um amigo, citado pela «Folha de São Paulo», o adolescente envolveu-se numa discussão por causa de uma rapariga e foi agredido com uma pancada na cabeça durante um baile. O jovem ainda foi conduzido ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Lucas de Lima foi sepultado, esta segunda-feira, no cemitério municipal de Itaquera, noticia o mesmo jornal.

O jovem tem 56,7 mil amigos no Facebook e foi um dos organizadores do «rolezinho», que chegou a juntar mais de três mil jovens no centro comercial Itaquera, em dezembro de 2013. Os chamados «rolezinhos» são agendados por jovens da periferia de São Paulo, que se juntam em grupos, convocados pelas redes sociais e que, mesmo sem intenção de delinquir, incomodam clientes e lojistas nos centros comerciais.

«Apartheid» nos centros comerciais divide o Brasil

Em janeiro de 2014, seis centros comerciais do Estado de São Paulo conseguiram mesmo o apoio da Justiça para bloquear as portas automáticas de modo a que polícias e seguranças privados pudessem identificar quem entrasse. O objetivo foi precisamente travar o acesso a menores que colocam em xeque vários «shoppings» com os «rolezinhos», um fenómeno com características similares aos «flash mobs», que são concentrações espontâneas de pessoas convocadas pelas redes sociais num determinado espaço para realizar uma mesma ação.

Lucas de Lima morava a poucos quarteirões do centro comercial, onde gastava em roupas de marca o dinheiro dos trabalhos que fazia como ajudante de pedreiro.

Em janeiro, a «Folha de São Paulo» chegou a acompanhar durante duas semanas o dia-a-dia de Lucas de Lima e dos amigos. Na época, o rapaz revelou que a polícia já sabia que tinha sido ele quem organizou o «rolezinho» no centro comercial Itaquera. «Tô ligado que "os polícia" tão em peso e já sabem quem eu sou», disse Lima, estudante do terceiro ano do ensino médio num colégio público da zona leste de São Paulo.

A «Folha de São Paulo» refere que a morte de Lucas de Lima foi registada como suspeita e está a ser investigada pela polícia.