Um jovem de 19 anos morreu em Atenas, na Grécia, na passada terça-feira, após uma discussão com um inspetor dos transportes, uma vez que não tinha pago bilhete.

A morte de Thanassis Kanaoutis está a tornar-se simbólica num país com muitas dificuldades económicas.

Ainda não se sabe se o rapaz caiu ou saltou do autocarro em movimento, mas o certo é que bateu com a cabeça no chão e não sobreviveu.

A oposição está a aproveitar o incidente para criticar as medidas de austeridade tomadas pelo governo grego. «Ele morreu porque não tinha um bilhete que custa 1,2 euros. Isto mostra, da maneira mais trágica, a situação de desespero a que estas políticas levaram grande parte da nossa sociedade», lê-se num comunicado do Syriza citado pela Reuters.

O partido de esquerda exige que os transportes públicos sejam gratuitos para os desempregados, reformados com pensões mais baixas e estudantes.

O controlo de bilhetes na Grécia aumentou quando as empresas de transportes foram obrigadas a corrigir as suas dívidas. Segundo vários bloggers e media gregos, os inspetores ganham uma comissão de cerca de metade da multa de 72 euros para quem não paga bilhete, o que pode incentivar uma «caça à multa».

Testemunhas no local do acidente apenas confirmaram que Thanassis estava a discutir com o inspetor quando se deu o acidente. A empresa garante que foi o jovem a puxar o travão de emergência para saltar, mas os advogados da família dele sustentam que o estudante pode ter sido empurrado.

Esta sexta-feira, cerca de 300 pessoas foram ao funeral de Thanassis Kanaoutis e envolveram-se em confrontos com a polícia. Pelo menos um autocarro foi vandalizado, tendo ficado com os vidros partidos e um enorme letreiro que dizia «assassinos».